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F1: Houve em tem­pos um des­porto…

13, Setembro, 2007

Houve em tempos um desporto de automóveis chamado fórmula 1. Dava aos domingos, normalmente à hora de almoço. Não era um desporto limpo, havia mecânicos, havia toques e alguns despistes. Andava-se nos limites e os mecânicos andavam numa luta para mudar 4 pneus em 4.1 segundos (Ferrari).

Ao Domingo lá em casa juntavam-se defensores do turbo contra defensores do aspirado, defensores da suspensão inteligente contra defensores da suspensão tradicional, os Sennas e os Prost, o Mansells e o Piquets, novos e miudos para verem um dos desportos mais excitantes do planeta.

Geravam-se discussões violentas e apaixonadas que duravam enquanto a RTP transmitia durante aquelas 2h. Não imaginam a desilusão de alguns da primeira vez que a Ferrari abandonou os V12 em favor dos V10... ou a loucura que foi assistir à primeira volta do grande prémio de Donington Park em 1993 (veja o vídeo)

Depois alguém acabou com a F1, passou a dar em canal fechado, porque afinal não era de interesse público, passou a ser dominada pelos interesses financeiros de alguns abutres que a pretexto de sabe-se lá o quê a queriam tornar num desporto limpo, clean. Vieram os pneus com sulcos, os motores mais pequenos, os ailerons pinga amor, e toda uma série de decisões que ano após ano pareciam querer condenar as gloriosas corridas de carros a uma simples procissão de domingo de manhã.

Deixei de ver a F1 há alguns anos, quando se mudou para a TV de canal fechado. Continuo a saber o que se vai passando pelos jornais da especialidade e é com a maior tristeza que verifico que os patrões da fórmula 1 conseguiram o que procuravam. Tornaram a F1 limpa... não há ultrapassagens, não há disputas, não há um motor a partir, um tanque de gasolina a esvaziar-se mais depressa do que o devido, nada... Tão limpa está que não há nada... e a parte suja deste desporto passou toda para os bastidores. As espionagens da Maclaren à Ferrari e a decisão de penalizar sem penalizar a Maclaren mostram o quão baixo este desporto chegou.

Para infelicidade de todos esta é a F1 que temos e com a qual teremos que viver. Temos é o direito de achar que já não se trata de desporto e o direito de nos sentirmos indignados com o que os actuais patrões andam a fazer à memória dos outros, dos genuínos membros do circo.

David Sem categoria

  1. 14, Setembro, 2007 a 00:01 | #1

    Subs­crevo, tenho sau­da­des da For­mula 1 que via enquanto miudo. Dos tem­pos em que havia dis­puta, em que era um des­porto emo­ci­o­nante… Agora, agora quase que me emo­ci­ono mais a ver o ultimo epi­só­dio da Doce Fugi­tiva… Bah :(

  2. 14, Setembro, 2007 a 00:38 | #2

    Nunca fui grande fan­zoca da F1, mas tive um namo­rado louco pela Fer­rari, pelo que de vez em quando havia patus­ca­das com cor­ri­das à mis­tura. (Diga‐​se que, curi­o­sa­mente, sem­pre gos­tei dos livros do Michel Vail­lant.)

    E nunca me esque­ce­rei das lágri­mas que um amigo meu, dos mais estói­cos que tenho, cho­rou com a morte do Senna.

    Velhos tem­pos, indeed.

  3. 14, Setembro, 2007 a 01:17 | #3

    Uiiii o Michel Vail­lant. Ainda me lem­bro que o pri­meiro des­ses livros que li foi o Michel Vail­lant em Lis­boa (que ainda tenho aqui) :P

    As memo­rias, as memo­rias… :)

  4. Spyro
    14, Setembro, 2007 a 03:20 | #4

    Aten­ção que não foram só as regras que tor­na­ram a F1 menos com­pe­ti­tiva, foi a evo­lu­ção muito forte das equi­pas de topo. Mas dizer que não há emo­ção (des­porto)… Neste momento a qua­li­fi­ca­ção tem muito mais piada que as 12 vol­tas de anti­ga­mente, as 3 par­tes da qua­li­fi­ca­ção com os pilo­tos a lutar pro­gres­si­va­mente por seguir para a ronda seguinte dão emo­ção. E neste momento ape­sar de os dois pilo­tos da Mcla­ren esta­rem em van­ta­gem algo con­for­tá­vel, temos 4 vitó­rias do Alonso, 3 do Hamil­ton, 3 do Raik­ko­nen e 3 do Felipe Massa, nesse aspecto mais renhido não pode­ria estar, nunca se sabe quem vai ganhar a cor­rida. Espe­re­mos no pró­ximo ano ainda mais renhido estar. E que a Mcla­ren jogue limpo…

    E algu­mas das regras vie­ram tra­zer mais segu­rança à Fór­mula 1

  5. 14, Setembro, 2007 a 03:27 | #5

    E eu que che­guei a colec­ci­o­nar cro­mos de F1 (com os capa­ce­tes dos pilo­tos), a jogar inces­san­te­mente Grand Prix no meu PC e a fazer direc­tas no sofá sozi­nho para ver a o Grande Pré­mio do Japão!

    Tenho sau­da­des des­ses tem­pos e não suporto a cor­rida hoje em dia, em que ganha quem tiver uma estra­té­gia de boxes melhor que a do vizi­nho!

  6. 14, Setembro, 2007 a 09:11 | #6

    Infe­liz­mente a F1 é actu­al­mente uma monó­tona cor­rida em que tirando a lar­gada, com ultra­pas­sa­gens e umas pan­ca­di­nhas entre car­ros, a res­tante cor­rida é sim­ples­mente levar o carro até à linha de che­gada, tendo cui­dado para não per­der luga­res nas boxs. Ai que sau­da­des do tempo do Senna, Prost e com­pa­nhia limi­tada…

  7. 14, Setembro, 2007 a 09:47 | #7
  8. 14, Setembro, 2007 a 10:38 | #9

    Subs­crevo com­ple­ta­mente este texto!
    Que sau­da­des da Fórmula1
    A ver­da­deira, aquela que ainda era um des­porto…
    Abraço!

  9. 14, Setembro, 2007 a 22:39 | #10

    Pode‐​se atri­buir tudo ao dinheiro, mas acho que o prin­ci­pal ingre­di­ente para a F1 inó­cua de hoje foi o mal­fa­dado grande‐​prémio de San Marino, com as mor­tes do Rat­zen­ber­ger (está bem escrito?) e do Senna. A F1 ficou numa encru­zi­lhada, com os gover­nos a meterem‐​se ao baru­lho e esteve quase para aca­bar.

    É pena. Por estú­pido que possa pare­cer dizer isto, para o des­porto ser emo­ci­o­nante, tem que haver algum risco. Aquilo não pode ser tão con­tro­lado que não haja espaço para ino­va­ção tec­no­ló­gica. O mal é que o risco implica uma pro­ba­bi­li­dade não zero de mor­rer gente…

    Agora, alinhem‐​me todos os moto­res de F1:
    http://​you​tube​.com/​w​a​t​c​h​?​v​=​i​I​t​z​J​c​-​N​HI4
    e não há como os V12 (é o carro que passa no Rio). Fabu­loso… Os moto­res actu­ais fazem baru­lho de mota :-/​

  10. 15, Setembro, 2007 a 01:41 | #11

    @ Pedro Quei­roz

    Eu tam­bém… Direc­tas ou até mesmo por o des­per­ta­dor para as 4

    E tam­bém tive a cader­neta dos capa­ce­tes..

    E tam­bém joguei aquele GP do pc.

  11. 2, Novembro, 2007 a 19:06 | #12

    con­cordo con­tigo, espe­ci­al­mente com o facto de dar em canal fechado.

    lembro‐​me que o único por­tu­guês que subiu ao pódio teve a sua cor­rida trans­mi­tida na tvcabo!

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