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Sexo no Second Life

4, Outubro, 2007


laggos_277010447398.jpgHá uns dias escrevi um artigo sobre o Second Life onde retratei a frustração que é tentar participar de uma comunidade cujo funcionamento está tão desajustado daquilo que estamos à espera e principalmente onde depois de o compreendermos percebemos que o seu moto se resume a uma maquinal acção de gastar dinheiro.

Curiosamente entre os comentários dos leitores do SPP houve bastantes que concordaram com a minha opinião. Parece que a frustração com o Second Life é enorme. O Levi Figueira lembrou um aspecto que na altura não pareceu importante, mas que depois de pensar um pouco, faz bastante sentido: Sexo. O eMatch como o Levi lhe chama, é fundamental para o sucesso do Second Life, quer como negócio de acessórios, quer para a própria satisfação dos utilizadores.

Olhando para o artigo que o Levi escreveu em Agosto sobre o SL, tenho que concordar que tal como o IRC era ponto de encontro para o sexo virtual (mais tarde foi o ICQ), talvez hoje o Second Life seja a Playboy dos tempos modernos. O local onde as nossas fantasias possam ser concretizadas com o consentimento do anonimato digital.

Esta vertente do Second Life passou-me despercebida pela simples razão que não foi em momento algum premissa para a minha experimentação do SL. Quando lá fui procurava outra coisa: A tal realidade virtual anunciada com pompa e circunstância, que quando comparada com outras deixa muito a desejar. O seu sucesso baseia-se nessa política/negócio de sexo que fomenta o desejo, permite suportar a falta de qualidade dos cenários e aturar a falta de gosto dos utilizadores.

Mas tem um modelo de negócio e tal como na realidade a indústria do sexo é quem acaba por decidir, mesmo que involuntariamente, o sucesso e o fracasso de um produto.

Ver também:
Second Life é um banco de teste
Second Life: A nossa vida pimbaa

Leia Também:

  1. Mode­la­ção de Agen­tes no Second Life Agent‐​Based Model­ling in Second Life from Andrew...

David Internet , ,

  1. 5, Outubro, 2007 a 00:22 | #1

    Quando afir­mas “rea­li­dade vir­tual […], que quando com­pa­rada com outras deixa muito a dese­jar” referes‐​te exac­ta­mente a que outras?
    Nao sei até que ponto é que o nego­cio do sexo no SL é assim tao sig­ni­fi­ca­tivo, espe­ci­al­mente tendo em conta que a Lin­den Labs acaba por ter como a sua maior fonte de ren­di­mento a venda de lotes e que os valo­res pra­ti­ca­dos na venda de “arti­gos de inven­ta­rio” entre par­ti­cu­la­res no Second Life acaba por nao ser assim tao alto (espe­ci­al­mente se tiver­mos em conta que um lote rela­ti­va­mente pequeno pode cus­tar mais de 1000 dol­lars).

    Acho curi­oso a forma como nos con­cen­tra­mos no sexo que existe no SL, quando na rea­li­dade o nego­cio de roupa, cabelo e skins acaba com toda a cer­teza por fazer fluir mais dinheiro do que o sexo em si (pode­mos argu­men­tar que tal pode estar direc­ta­mente rela­ci­o­nado com sex‐​appeal e que logo vai dar ao mesmo…mas vá, nao vamos ser assim!). Exis­tem “escorts”, strip­pers e tudo mais, mas esta­mos a falar de par­ti­cu­la­res (pos­si­vel­mente jovens imber­bes sem grande coisa para fazer, é certo) que difi­cil­mente pode­mos ape­li­dar de “industria”…acho que essa indus­tria nao existe, o que existe é o mag­ne­tismo que os huma­nos sen­tem pela repro­du­ção e o facto de ser uma “meca” em quase todos os cam­pos tec­no­ló­gi­cos de uma forma ou de outra liga­dos à infor­má­tica e aos media…

    O facto de não haver por­no­gra­fia pro­gra­mada para Blu­e­ray acaba por por esse for­mato numa posi­ção um pouco fragilizada…pelo menos até que con­ti­nue a haver con­trolo de con­teú­dos, a Lin­den Labs foi sufi­ci­en­te­mente inte­li­gente para nao res­trin­gir o sexo (embora tenha res­trin­gido o jogo ile­gal, mafias, etc) garan­tindo no mínimo essa camada de mer­cado… O teen life sendo uma grid muito mais res­trita em ter­mos de con­teú­dos acaba por estar vazia…o que é curi­oso tendo em conta que o publico alvo ini­cial do SL seria muito pro­va­vel­mente ado­les­cen­tes e jovens adul­tos.

    como alguém disse “if you took all the porn out of the inter­net there would be only one site left and it would be cal­led “bring the porn back!”

  2. 13, Janeiro, 2008 a 18:35 | #2

    Achei inte­res­sante estes dois pon­tos:

    […]retra­tei a frus­tra­ção que é ten­tar par­ti­ci­par de uma comu­ni­dade cujo fun­ci­o­na­mento está tão desa­jus­tado daquilo que esta­mos à espera […] se resume a uma maqui­nal acção de gas­tar dinheiro

    e

    A tal rea­li­dade vir­tual anun­ci­ada com pompa e cir­cuns­tân­cia, que quando com­pa­rada com outras deixa muito a dese­jar. O seu sucesso baseia‐​se nessa política/​negócio de sexo que fomenta o desejo, per­mite supor­tar a falta de qua­li­dade dos cená­rios e atu­rar a falta de gosto dos uti­li­za­do­res.

    Mas tem um modelo de negó­cio e tal como na rea­li­dade a indús­tria do sexo é quem acaba por deci­dir, mesmo que invo­lun­ta­ri­a­mente, o sucesso e o fra­casso de um pro­duto.

    O pro­blema com estas afir­ma­ções têm a ver com os “gene­ra­lis­mos”. Não sei com quem é que o Sixhat se iden­ti­fica quando fala de “daquilo que esta­mos à espera”. Quem são as pes­soas nesse plu­ral? Do que é que o Sixhat está à espera? O que são esses “desa­jus­tes”? Acaso não será o Sixhat que está “desa­jus­tado” com as deze­nas de milha­res de por­tu­gue­ses, e que por isso “sente” esse desa­juste? A sua men­sa­gem não é clara.

    Da mesma forma, o que é a “rea­li­dade vir­tual anun­ci­ada com pompa e cir­cuns­tân­cia”? Lê‐​se nas entre­li­nhas daquilo que não escre­veu que existe apa­ren­te­mente um ima­gi­ná­rio colec­tivo do que é “rea­li­dade virtual” — provavelmente mode­lada a par­tir de uto­pias publi­ci­ta­das em séries e livros de fic­ção cien­tí­fica — e que quando pela pri­meira vez nos liga­mos a uma rea­li­dade vir­tual real (no sen­tido de que não é uma ima­gi­nada), existe algum “desapontamento” — “não é nada disto que estava à espera”.

    Mas de que é que o Sixhat estava à espera?…

    Temos de lar­gar o ima­gi­ná­rio utó­pico de uns pou­cos que nos fazem sonhar com as suas ideias, e olhar para efec­ti­va­mente o que são os resul­ta­dos da uti­li­za­ção dos “media”. Quando a TV foi lan­çada, os seus pro­po­nen­tes acre­di­ta­vam que iria ser usada para uma divul­ga­ção cul­tu­ral mais avan­çada, per­mi­tindo às pes­soas assis­ti­rem ao tea­tro e à ópera sem saí­rem de casa, e con­tri­buindo assim para a uni­ver­sa­li­za­ção da cul­tura dita eru­dita. Mas o que temos é rea­lity shows e tele­no­ve­las e notí­cias de quan­tas pes­soas mor­re­ram no último aten­tado bom­bista em Bag­dade. Quanto a Web foi lan­çada pelo Tim Berners‐​Lee, ele jul­gava que ia ser uti­li­zada fun­da­men­tal­mente para tra­ba­lho cola­bo­ra­tivo entre cien­tis­tas e inves­ti­ga­do­res aca­dé­mi­cos. Na rea­li­dade, a Web tornou‐​se no “cani­vete suíço” com milhões de apli­ca­ções pos­sí­veis, sendo as que estão mais na moda a divul­ga­ção de pro­du­tos e ser­vi­ços, o comér­cio elec­tró­nico, e os sites soci­ais. E, claro, a por­no­gra­fia. Quando os tele­mó­veis foram lan­ça­dos, nin­guém pen­sou que seriam usa­dos por gru­pos de cri­mi­no­sos para se man­te­rem em con­tacto uns com os outros rapi­da­mente e evi­ta­rem assim a polí­cia.

    E, enfim, Guten­berg acre­di­tava que poder publi­car mais bíblias a mais baixo custo era uma boa uti­li­za­ção para a sua prensa móvel. Duvido que ele esti­vesse a ima­gi­nar que a sua inven­ção iria ser­vir para publi­car tablói­des ou livros sobre cien­to­lo­gia.

    No fundo, o que acon­tece sem­pre que uma tec­no­lo­gia entra no mains­tream, ela é usada de uma forma com­ple­ta­mente dife­rente daquela que, inge­nu­a­mente, acre­di­tá­va­mos ser a “melhor” uti­li­za­ção. Não admira. Quem pro­põe essas “melho­res” for­mas — utó­pi­cas — de uti­li­za­ção são uns pou­cos quan­tos eru­di­tos, cheios de boas inten­ções, mas que des­co­nhe­cem em abso­luto a natu­reza humana — ou sequer aquilo que as pes­soas gos­tam mesmo de fazer. O ser humano médio tem gos­tos, moti­va­ções, ideias, pul­sões e dese­jos muito dife­ren­tes do que uma certa elite inte­lec­tual julga terem. É pre­ciso des­cer ao nível do “mains­tream” (das tele­no­ve­las, da música pimba, das bana­li­da­des, do fute­bol…) para se com­pre­en­der que é isso que a mai­o­ria das pes­soas quer. Lamentar‐​mo‐​nos pela medi­o­cri­dade extrema dos nos­sos que­ri­dos con­ci­da­dãos enquanto nos damos pal­ma­di­nhas nas cos­tas a dizer “ainda bem que não somos assim” é, a meu ver, a ati­tude errada…

    Em vez disso, deve­mos reco­nhe­cer com humil­dade que, nas rea­li­da­des vir­tu­ais que de facto exis­tem e estão a fun­ci­o­nar, as pes­soas fazem aquilo que elas mais que­rem, e não aquilo que gos­ta­ría­mos que elas fizes­sem. Se pre­ten­de­mos algo de dife­rente, temos de lutar por dar­mos o exem­plo. Isto aplica‐​se a tudo: assim, ainda há canais cul­tu­rais na TV, ape­sar de 99% de toda a pro­gra­ma­ção ser “pimba”. Há a Wiki­pe­dia que cresce no meio dos sites das bana­li­da­des, e que se apro­xima muito do ideal de tra­ba­lho cola­bo­ra­tivo entre aca­dé­mi­cos que o Tim Berners‐​Lee insis­tia. Mas criar este “espaço utó­pico” no mar do “mains­tream pimba” requer esforço, incen­tivo, dedi­ca­ção, e muito tra­ba­lho. Não é de bra­ços cru­za­dos que se “salva” uma geração‐​do‐​pimba. Não é fechando a porta e desis­tindo que damos o exem­plo.

    Final­mente, há a ques­tão de “explo­ra­ção do espaço” com o objec­tivo de emi­tir uma opi­nião. Ima­gi­ne­mos o turista sueco que vai visi­tar os bair­ros de lata da Rebo­leira, na sua pri­meira visita a Por­tu­gal. Como que visão de Por­tu­gal vai ficar? Desiste pro­va­vel­mente ao fim de uma hora e escreve no seu blog: “Por­tu­gal é o país mais medo­nho da União Euro­peia. São só bair­ros de lata com popu­la­ções empo­bre­ci­das, sem con­di­ções, vivendo ao lado de uma capi­tal que decerto não tem con­di­ções sequer para ofe­re­cer emprego a esses mise­rá­veis que vivem ao lado. É tudo sujo, sem qual­quer orga­ni­za­ção ou pla­ne­a­mento urbano, com pes­soas sem conhe­ci­men­tos, sem cul­tura, sem qual­quer tipo de capa­ci­da­des de con­se­gui­rem sair da sua situ­a­ção deplo­rá­vel. É espan­toso como estes habi­tan­tes deste país atra­sado e mise­rá­vel con­se­guem intitular‐​se euro­peus como nós, pois cla­ra­mente não acre­di­tam — não podem acre­di­tar, pois nem têm capa­ci­dade inte­lec­tual para o faze­rem — na cons­tru­ção do grande pro­jecto euro­peu que nos indica o que deve ser o futuro.”

    Decerto no dia seguinte exis­ti­riam milha­res de men­sa­gens de pro­testo pelo ultraje no blog deste hipo­té­tico turista. Diría­mos que não é a par­tir de uma visita dos bair­ros de lata que se pode emi­tir uma opi­nião séria e neu­tra sobre as “capa­ci­da­des” dos por­tu­gue­ses. Que Por­tu­gal tam­bém tem um autor que ganhou recen­te­mente um pré­mio Nobel da lite­ra­tura, emi­tido pela mesma Aca­de­mia Sueca das Ciên­cias que agra­ciou pes­soas como Eins­tein ou Nel­son Man­dela — evi­den­te­mente, esta­re­mos ao “mesmo nível” civi­li­za­ci­o­nal que o resto do mundo. Que temos tra­di­ções, his­tó­ria e cul­tura — mas tam­bém ino­va­ção, uma eco­no­mia rela­ti­va­mente prós­pera, e uma orga­ni­za­ção que está ao nível euro­peu. Que a lim­peza e a higi­ene é a marca de pra­ti­ca­mente todas as peque­nas ter­ras do inte­rior por­tu­guês… e que mesmo as gran­des cida­des têm lar­gas ave­ni­das, par­ques e jar­dins, e cen­tros comer­ci­ais e hos­pi­tais. Enfim, pode­ría­mos con­ti­nuar com a enu­me­ra­ção de milha­res e milha­res de exem­plos.

    A ques­tão sim­ples é que não se con­se­gue “ava­liar” o Second Life e “a rea­li­dade vir­tual anun­ci­ada com pompa e cir­cuns­tân­cia” ape­nas olhando‐​se para os “bair­ros de lata” do mesmo, num espaço cur­ti­nho de algu­mas horas. Mesmo ao fim de alguns meses, e falando‐​se com milha­res de pes­soas, não tere­mos uma com­pre­en­são cor­recta e fun­da­men­tada de tudo aquilo que acon­tece e se passa no Second Life. Ao final de três anos e meio, tendo con­tac­tado com uma dezena de milhar de pes­soas, lendo milha­res de arti­gos e alguns livros sobre o Second Life, e inves­tindo deze­nas de horas sema­nais a estudá‐​lo (ao ambi­ente e aos seus habi­tan­tes), ainda me con­si­dero uma “turista” que pouco mais viu que a peque­nís­sima ponta de um vas­tís­simo ice­ber­gue que se esconde neste ambi­ente vir­tual. O típico exem­plo é que o tal “con­teúdo sexual” no Second Life, segundo a Lin­den Lab, não excede os 18% da tota­li­dade do con­teúdo exis­tente (na World‐​Wide Web, é cerca de 20% dos 6 biliões de pági­nas inde­xa­dos pela Goo­gle). Mas eu mal o vi. Sei que existe por­que me falam dele e por­que vi foto­gra­fias em blogs e forums. Mas tal como na vida real não tenho por hábito fazer pas­seios em bair­ros de lata e tecer comen­tá­rios sobre os mes­mos, tam­bém no Second Life não ando à pro­cura de con­teúdo de índole sexual, e por­tanto mal o conheço. Não estou de todo habi­li­tada a fazer comen­tá­rios sobre o mesmo. E, como disse, penso que pas­sei mais de vinte mil horas no Second Life!…

    Claro que as pri­mei­ras impres­sões con­tam, e muito. É por isso que 90% das pes­soas que usam uma nova tec­no­lo­gia (seja o You­Tube, o Face­book, o MyS­pace… ou o Second Life) aca­bam por desis­tir dela, se não encon­tram ime­di­a­ta­mente o que que­rem. Esta­mos numa soci­e­dade hedo­nista que pre­tende ser entre­tida ime­di­a­ta­mente. O lazer pro­por­ci­o­nado por um tele­vi­sor está ao alcance de um botão, e ao fim de meio minuto, já fizé­mos “zap­ping” por 50 canais em busca de con­teúdo que nos inte­resse (pago ou gra­tuito).

    No Second Life isso não acon­tece. Nem em 30 segun­dos, nem em 30 horas. É pre­ciso muito mais do que isso para se com­pre­en­der os “rudi­men­tos” das for­ças que movem esta rea­li­dade vir­tual. É pre­ciso com­pre­en­der que o apelo da cri­a­ção de con­teú­dos no Second Life tem algo que na Web pou­cos con­se­guem fazer: a cri­a­ção de uma eco­no­mia de con­teú­dos. Hoje em dia, há uma pro­por­ção ridi­cu­la­mente pequena de pes­soas que com­pram con­teú­dos na Web — arti­gos de jor­nais, foto­gra­fias, designs de pági­nas Web — pelo que não nos aper­ce­be­mos de que a venda de con­teú­dos via Web é de facto um negó­cio. A esma­ga­dora mai­o­ria da popu­la­ção por­tu­guesa nunca pagou um tos­tão por ace­der a con­teú­dos — e julga que todos os que exis­tem na Web são, enfim, de índole sexual… mas não é assim. Há milhões de pes­soas que com­pram e ven­dem dia­ri­a­mente con­teú­dos na Web, mas nós é que não conhe­ce­mos nin­guém (tal­vez uma em mil pes­soas esteja envol­vida nesse negó­cio; mas se calhar é uma em dez ou cem mil…).

    No Second Life, no entanto, quase toda a popu­la­ção com­pra ou vende con­teú­dos digi­tais. É um cho­que. É como se abrís­se­mos o nosso brow­ser um dia, e subi­ta­mente nos dés­se­mos conta dos milhões de sites de com­pra e venda de con­teú­dos, dos quais nem sequer tínha­mos cons­ci­ên­cia da sua exis­tên­cia, muito menos do seu número. Mas no Second Life é ao con­trá­rio. Temos lojas por todo o lado — como na vida real. É impos­sí­vel não notá‐​las. E pudera: num ambi­ente que tem mais habi­tan­tes que Por­tu­gal con­ti­nen­tal, todos os dias cerca de um milhão de Euros troca de mãos. Um milhão!… É para nós incon­ce­bí­vel, quando a esma­ga­dora mai­o­ria dos con­teú­dos é ven­dido por (muito) menos de um Euro. E a cada dia são cri­a­dos ses­senta ou setenta mil objec­tos e colo­ca­dos para venda — uma escala a que nenhum de nós está pre­pa­rado, pois, se na Web acon­tece pre­ci­sa­mente o mesmo, a ver­dade é que acon­tece “longe da vista”…

    Em con­clu­são (que o comen­tá­rio vai longo…), o Second Life é infi­ni­ta­mente mais com­plexo do que uma mera visita “de algu­mas horas” possa dar a enten­der. Essa é, em certa medida, a sua pior carac­te­rís­tica. Tem dema­si­a­das pes­soas; tem dema­si­ada com­ple­xi­dade social; para o “com­pre­en­de­mos” temos de inves­tir tanto tempo como a visi­tar um país novo, com a sua pró­pria cul­tura e soci­e­dade, os seus hábi­tos e cos­tu­mes. Nesta gera­ção do ime­di­a­tismo do pra­zer, garan­tido pelo click ins­tan­tâ­neo do con­trole remoto, o Second Life parece‐​nos “desa­jus­tado”. É ver­dade — não há “ime­di­a­tismo” no Second Life. Aprendê‐​lo — e apreendê‐​lo — leva muito mais tempo do que a esma­ga­dora mai­o­ria das pes­soas tem capa­ci­dade para fazer.

    E por isso ficamo‐​nos pela ideia do bairro de lata, onde ciga­nos ofe­re­cem favo­res sexu­ais e todo o tipo de con­teú­dos por uma meia dúzia de Euros, e é com essa ima­gem com que fica­mos e escre­ve­mos nos nos­sos blogs.

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