é estranho, mas a verdade é que a Microsoft parece estar a acertar algumas coisas. Primeiro foi o Windows mobile 7 Phone Series que promete algo novo (se bem que teremos que esperar pelos primeiros telemóveis para saber) e também em termos de realidade aumentada onde a equipa do Bing está a fazer coisas muito interessantes como a integração de fotos do flickr ou agora de Live Video.
Não sou particularmente fã do John C. Dvorak, mas a verdade é que ao longo dos anos o tipo tem-se saído com algumas opiniões interessantes. Desta vez analisa o estado da Microsoft e a possibilidade da empresa estar a entrar na curva descendente. Terá o tempo das companhias puramente de software passado?
É curioso ver a lista de tecnologias que a Microsoft tentou copiar e falhou. Aliás, a actualidade está a mostrar cada vez mais que a sinergia entre software e hardware é que é importante. Talvez seja altura da Microsoft se dedicar apenas à XBox e aos jogos (onde a tal sinergia parece funcionar).
Quem não está disposto a pagar sabe muito bem onde encontrar o download do windows, mas já imaginou se o seu sistema operativo fosse grátis e não fosse preciso recorrer a downloads menos claros? E quais as consequências que isso acarretaria para a indústria? Nos últimos dias tenho andado a explorar o Windows 7 Beta, que pode testar gratuitamente a partir do site da Microsoft, e recorrentemente tem surgido a ideia de que os Sistemas Operativos, em especial o Windows devia ser distribuído de forma grátis. Para além do mais seria uma forma de acabar com o download ilegal do windows.
Não, não estou sequer a falar de tornar o sistema operativo open source, que defendo, mas antes de fazer o Windows Vista grátis para download (ou o Mac OS X, ou qualquer outro OS pago). Sem condições, nem activações, nem policiamento. Você poderia ir ao site da microsoft e descarregava uma cópia. Seria óptimo do ponto de vista monetário para o utilizador, mas seria uma boa ideia? Passo a explicar:
1) Cada vez mais o negócio das empresas de software não está centrado em torno do sistema operativo, mas antes em cima de outros produtos que são construídos para correr nesses sistemas operativos. Veja-se o caso do Office no caso da Microsoft ou do Aperture no caso do Mac. Isto para não falar do software produzido por outras empresas que nem sequer produzem sistemas operativos.
2) O sistema operativo em si mesmo não apresenta mais valia para o utilizador (excepto alunos de informática na cadeira de sistemas operativos). O Windows em si é só um suporte para as actividades que o utilizador pretende fazer no dia a dia. O Windows serve para correr outras aplicações essas sim que apresentam mais valias, como organizar a nossa vida, ler email, arquivar fotografias, ouvir música.
1) Os anúncios retratam a Microsoft como uma companhia que pretende censurar a utilização de certos termos menos simpáticos para a sua empresa. Isto vindo de uma empresa que pura e simplesmente apaga as entradas no fórum de suporte oficial, quando surgem críticas sobre defeitos dos macs que a Apple não consegue resolver.
2) Os anúncios passaram a colar a personagem do PC, não aos PCs com software da Microsoft, que qualquer utilizador pode ter, mas antes directamente à companhia. A figura do PC não é agora o PC, mas a Microsoft. Esta mudança é subtil mas importante.
Efectivamente o sucesso dos 300 Milhões que a Microsoft gastou está a mostrar-se. Concorde-se ou não, o o gigante de Redmond acordou para o mundo da publicidade e do marketing. Ontem Eu, a Maria João Valente, o Luis Alves e o Phil entramos numa discussão pública no Twitter sobre o fenómeno. O artigo que despoletou a conversa foi o que escrevi sobre o anúncio do Jerry Sinfeld e Bill Gates. Aqui fica uma selecção escolhida do tweets mais importantes. Ler mais…
Não falei deles da primeira vez porque como quase todos os que o viram, achei que a recordação do estilo pós-modernista do “show sobre nada” do Seinfeld não estava bem conseguida. Talvez fossem os 10 anos que passaram sobre o final do Seinfeld.
Agora saiu o segundo anúncio da série Seinfeld-Gates e tudo começa a fazer sentido.
Apesar de ser um anúncio, esta campanha é mais que isso. É uma paródia à própria Microsoft e às suas dificuldades em se ligar com a realidade. Mas é também é a catarse da empresa, procurando mostrar que sabe encontrar-se e mostrar-se nua na maior representação dos defeitos do seu líder carismático. Quem melhor que Bill Gates para representar o que é a Microsoft?
O que se passa aqui é que esta série de anúncios não pretende ajudar a vender mais Vistas ou Offices como alguns pensam. Esta é uma campanha sobre a percepção humana. Sobre como as pessoas vêem a realidade e vêem a Microsoft. É um grande pedido de desculpas da empresa por ser como é.
Trata-se de um anúncio que mostra dois homens de “sucesso extraordinário nos seus respectivos domínios”, a comportarem-se de forma completamente desfasada das pessoas reais. A forma como discutem a compra de sapatos, ou como se penduram na vida de uma família de um qualquer subúrbio americano mostra o quanto eles, e evidentemente a Microsoft, estão afastados da realidade das pessoas.
E o que mostra este anúncio sendo filmado desta forma? Mostra às pessoas que a Microsoft percebeu esse afastamento, ao contrário da figuras estilizadas da publicidade Apple que vivem num mundo idealizado, a Microsoft mostra que vive num mundo real mas que perdeu o rumo e que quer voltar a percebe-lo. Sob esta perspectiva os anúncios da apple aparecem como uma encenação de alguém que não quer encarar a realidade. Soam a falso. A Microsoft por outro lado mostra-se preocupada mas ao mesmo tempo aceitando o peso de ser tão bem sucedida e pedindo a compreensão(perdão) por ser diferente.
A intuito desta campanha é um reposicionamento estratégico da imagem percepcionada da empresa, algo que não se consegue com explicações técnicas das vantagens dos seus produtos ou com uma linguagem de vendedor. É por isso que a lógica pós-modernista de um Seinfeld (que ainda por cima está como eu, com barriguinha) que ainda sabe jogar com os gags que o tornaram famoso, pode funcionar. Neste episódio começa-se a perceber a estrutura geral dos anúncios, as piadas por repetição (os sapatos, a sinal final do Bill Gates), os gags non-sense da interacção com os actores secundários… que mostram o quão os dois personagens principais vivem nos seus pequenos mundos.
Da estranheza inicial que levou a recordar o pós-modernismo dos anos 90 à genialidade vai um grande passo. No entanto penso que esta série está no bom caminho e será capaz de fazer pela Microsoft algo que os seus produtos não conseguiram durante muito tempo: Criar a empatia necessária para o lançamento de novos produtos ao mesmo tempo que coloca os anúncios da rival Apple sob uma perspectiva de snobismo e desconexão da realidade.
Acredito que muito em breve teremos novas campanhas da Apple e o duo PC Mac terá os dias contados, mas como em tudo posso estar errado.
Segundo o que li agora mesmo no Blog do Paulo Vilela, parece que a MS está em reboliço. Depois de Bélgica, Holanda e África do Sul terem exigido para 2009 a obrigatoriedade de suporte do ODF a microsoft anunciou finalmente que o vai incluir no Service Pack 2.
Excelentes notícias. Agora bom, mas mesmo bom era que o nosso PM deixasse de ser mais papista que o SB… Mas isso é como pedir ao deserto que se encha de flores.
Por outro lado é o reconhecimento de que não aceitar que o mundo nem sempre quer o que microsoft dita, a posição privilegiada que tem tenderia a desaparecer.
Update: Embora as notícias sejam boas, já não é a primeira vez que a Microsoft anuncia uma coisa para depois não cumprir. Por isso a Comissão Europeia já veio fazer uma declaração afirmando que iria investigar se efectivamente o suporte anunciado pela Microsoft do formato ODF se traduz numa melhoria da interoperabilidade ou não. (via CNN)
O corte de preços do Windows Vista por parte da Microsoft já vem tarde. Essa maravilha dos sistemas operativos pode ser encontrado em qualquer feira da ladra, artesanato ou barraquinha de jornal.
Aliás, quando estive no brasil no ano passado, depois das 7h da noite era possível encontrar qualquer software que se quisesse em bancas improvisadas em caixas originais (ou muito boas imitações) a preços da chuva. Tinham apenas o problema de serem traduzidos para pt-br…
Mas como o Balmer dizia que a culpa do falhanço do Vista não era da Microsoft, mas dos piratas, não sei porque é que agora decidiram baixar o preço… Talvez seja para convencer aqueles que optaram ficar pelo Windows XP a finalmente fazer o update…
Mas com estes preços… a pergunta que se impõe é “quem é que é que anda a roubar?”
Em todo o caso os preços: O Windows Vista Ultimate passa nos EUA de 399$ para 319$ e o Vista Home Premium passa de $159 para $129 (versão upgrade). Esperem lá… então agora o upgrade do Vista está igual ao preço do Leopard da Apple completo? Ora bem bom… é mesmo esta descida de preços que vai impulsionar as vendas do Windows Vista.
A notícia parece que apanhou todos de surpresa e todos parecem estar a querer elogiar aquilo que não o é. A Microsoft ao mostrar o código da framework .NETNÃO a tornou Open Source. Não a abriu, como muitos sites estão a noticiar.
A Microsoft colocou o código debaixo da licença Shared Source, que NÃO é Open Source. A Microsoft não permite que o código seja modificado ou distribuído por ninguém.
Por outro lado para ver o código é necessário inscrever-se junto da microsoft o que serve para que a Microsoft saiba quem acedeu ao código. Isto faz com que qualquer programador Open Source responsável não possa ver o código da Microsoft sob o risco de futuros processos por violação de patentes.
Ainda assim gostava de saber o que o Miguel de Icaza pensa deste passo da Microsoft, embora ache que ele não estará muito preocupado, uma vez que está protegido pelo acordo Novell-Microsoft. Contudo gostava de saber qual o sentimento do pessoal do Mono (este sim, Open Source) em relação a isto.
A Microsoft é cheia de secretismos e isso nota-se até quando quer anunciar o novo Zune. Primeiro fala-se com os jornalistas dia 2, proibindo que se divulgue alguma coisa até dia 3. Ainda por cima quando por causa da FCC todos sabem antes o que é o misterioso produto. Ora ou se faz um anúncio do produto novo ou não se faz. Desta forma não se tem um evento e o buzz que se poderia criar em torno do produto é menor. (Hora de meter a Apple neste post) A Microsoft tem muito que aprender com os lançamentos de produtos por parte da Apple.
Bem, mas então vamos lá falar do produto: Ler mais…
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