Quando a música está em todo o lado e sem dúvida que no princípio desta Bossa nova japonesa pensei que ia ouvir algo de um país mais quente… e próximo. No final uma boa surpresa para um fim de semana de muito sol. A não perder pitada até ao fim por causa dos solos.
(Só não percebi o fetiche da mala a tira colo e do globo espelhado tipo disco anos 70⁄80)
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Se ouviram o vozeirão da Petra nesta faixa, já tem uma ideia do que podem ouvir logo à noite!
A indústria da música, como de costume, é perfeita, não faz asneiras. O seu modelo de negócio foi estabelecido no tempo dos gramofones e não precisa de mudar. A AFP (associação fonográfica portuguesa) descobriu que em 2008 a venda de música em Portugal caiu 11,5% e imediatamente veio para a imprensa culpar a “pirataria” esse monstro de costas largas que serve para amparar as asneiras e mentiras da indústria.
Diz o director da AFP que a crise da música está directamente relacionada com a pirataria da música na Internet. COMO? Onde é que o senhor fundamentou esta opinião? Pode mostrar os estudos que imputam a diminuição de vendas com o aumento da pirataria? Aliás, certamente não leu / ouviu um estudo dos hábitos do consumidor feito pelo Grupo NPD em que as conclusões são simplesmente diferentes ou o artigo do The Guardian em 2008 que mostra que a música pirateada na internet é uma fracção da música pirateada[1b]:
Mais, diz ainda “Há gerações que não compram música, só fazem downloads pela Internet e há um trabalho que está por fazer”. O senhor deve saber mais do que nós. Primeiro utiliza GERAÇÕES, no plural como se todos os que conhecemos, desde o meu avô de 95 anos ao meu gato fossem bandidos. Pode indicar estudos que mostrem a estratificação por idades (já que fala em gerações) daqueles que fazem pirataria? E como o senhor não fez o trabalho de casa não sabe de estudos que dizem exactamente coisas como: “digital music sales will grow at a compound annual growth rate of 23% over the next five years”[1a]
Mas acham que acaba aqui? Logo a seguir diz com toda a autoridade que a presidência de uma associação lhe dá: “É muito difícil o iTunes conseguir singrar se num site ao lado um mesmo álbum for disponibilizado gratuitamente.” COMO? O que sabe o senhor da AFP que o presidente da Apple não sabe? É que olhando para o que saiu nos últimos anos em termos de vendas é, só para exemplificar:
2005 — iTunes storms into top 10 music sales chart [1]
2005 — iTunes scores 80 per cent of UK downloads [2]
2006 — “revenue on iTunes soared by 84%. In addition, the number of transactions jumped 67%, and the amount spent per transaction was up 10%.”[3]
2007 — “The iTunes service wields incredible power in the music business, since it accounts for more than 76 percent of digital music sales. And its influence is on the rise: Apple recently passed Amazon to become the third-biggest seller of music over all, behind Wal-Mart and Best Buy, according to the market research firm NPD.”[4]
2007 — iTunes Music Store — songs sold
Launch: April 28, 2003 25 million songs: Dec. 15, 2003
“Over” 70 million songs: April 28, 2004 100 million songs: July 12, 2004 150 million songs: Oct. 15, 2004 200 million songs: Dec. 16, 2004 250 million songs: Jan. 24, 2005 (50 million in 38 days) 300 million songs: March 2, 2005 (50 million in 36 days) 350 million songs: April 13, 2005 (50 million in 41 days) 400 million songs: May 9, 2005 (50 million in 30 days) 500 million songs: July 5, 2005 (100 million in 57 days)
“Over” 600 million songs: Oct. 25, 2005 (“over” 100 million in 112 days) 850 million songs: Jan. 10, 2006 (250 million in 76 days) 1 billion songs: Feb. 22, 2006 (150 million in 42 days) 1.5 billion songs: Oct. 26, 2006 (500 million in 246 days) 2 billion songs: Jan. 9, 2007 (500 million in 80 days) 2.5 billion songs: April 1, 2007 (500 million in 82 days) [5]
2008 — iTunes Records a Sales Milestone — Apple Inc. has surpassed Wal-Mart to become America’s No. 1 music store, the first time that a seller of digital downloads has ever beaten the big CD retailers. [6]
A verdade é que estes links e sites mostram um cenário muito diferente daquele que o presidente da AFP quer fazer passar. O problema não é achar que a pirataria é má. Todos achamos e seria óptimo que houvesse um mundo onde não existisse, de qualquer tipo, mas a verdade está na forma como a indústria se tem comportado. A indústria acha que “tem direito” a vender todos os anos mais. A indústria acha que quando o seu modelo de negócio está a falhar, em vez de perceber porque perdeu 20 milhões de compradores de CDs (nos EUA e que não foram para outros meios), é mais fácil atirar a culpa para um lado obscuro e ilegal chamado pirataria digital. A AFP não quer acabar com a pirataria. A AFP quer apenas receber mais dinheiro. O dinheiro que ela acha que tem direito segundo um modelo de negócio que as pessoas cada vez menos querem. E pior que tudo o resto é que vem para uma imprensa acrítica que lhes dá voz sem fazer um pouco de investigação. Como o que é dito vem de uma “associação” deve ser verdade! E basta colocar o que a pessoa disse entre aspas para que a imprensa se escuse a fazer um pouco de investigação.
A estratégia da AFP é clara. Criar um panorama negro, irreal, de forma a que futuramente legislação que garanta a perpetuação do seu negócio falhado, seja aprovada. Ainda por cima não se coíbe de acusar tudo e todos, inclusive de inventar factos no que diz respeito ao iTunes para tentar justificar o seu ponto de vista. Já o vimos no passado com tantas outra medidas e polémicas. Infelizmente é pena que assim seja.
Para quem andava de fraldas em 1991 veja o original Smells Like Teen Spirit (live, como todo grunge deve ser ouvido) dos Nirvana antes de ver a versão da Patti Smith aqui em cima.
Hoje estou Offline. Não contactar! Cuidado com o cão!
Procurar música na internet nem sempre é simples. Apesar de muitas bandas disponibilizarem os seus álbuns para download sob licenças creative commons, ou artísticas, não é fácil chegar a novos sons. Daí que muitas vezes o melhor seja mesmo procurar no Google. Por exemplo esta música:
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dos Stidiek, um projecto espanhol de Pamplona (distribuída sob uma licença CC) não seria facilmente encontrada, mesmo que a banda a divulgue no MySpace ou Jamendo…
Claro que procurando pelo nome do projecto conseguiremos encontrar páginas do autor… mas é preciso conhecer o nome da banda. Uma questão que se coloca então para os novos autores é como ultrapassar este desconhecimento inicial que as pessoas tem do seu trabalho? É que a internet, como muitas outras redes sociais, está organizada num modelo do tipo “Scale Free” onde aqueles que já tem mais referências recebem mais citações. Este mecanismo reforça os nomes conhecidos. O Google utiliza esta noção no seu algoritmo de PageRank por exemplo.
O que importa aqui é perceber como é possível ter um um sistema que mostre resultados dos mais pequenos, dos tais que ficam na cauda longa e que de outra forma não conseguirão ter a visibilidade dos estabelecidos que já possuem mais ligações?
Não tenho resposta para esta pergunta (se tivesse estaria rico) mas a verdade é que o sistema actual de Hub and Spoke tem defeitos principalmente porque os Hubs se tornam gigantes, sem que isso seja reflexo de qualidade acrescida, seja na música, na literatura ou no número de leitores de um site ou blog. Talvez a solução passe por uma reeducação do consumidor, fomentando a procura de coisas originais e diferentes em vez de procurar uma normalização pela moda.
Na música isto é ainda mais importante quando se sabe que para além do efeito scale free ainda se tem que lidar com os interesses das editoras de música, que tem todo o interesse em manter os músicos independentes longe das audições, para não afectar as vendas dos seus músicos. Há uma efectiva ditadura da música que ouvimos! Como se pode dar a volta a isto?
Há boas notícias às quais imprensa gosta de dar a volta para servir interesses que não percebo. Quando a Microsoft decidiu acabar com os servidores de autorização das músicas com DRM, todos se revoltaram, o que levou a Microsoft a voltar atrás. Agora é a vez do Yahoo! anunciar que vai desligar os servidores que autorizam as músicas com DRM a tocar num determinado computador e novamente as queixas parecem estar a subir de tom.
Estamos a assistir ao fim do DRM e os patos que compraram música com DRM queixam-se que podem ficar sem poder ouvir as suas músicas no futuro. Para já o Yahoo garante que mesmo após o desligar dos servidores de autorização as pessoas podem continuar a ouvir as músicas no computador onde as tiverem (até que mexem a fundo no OS). Mas esperem, as pessoas compraram as músicas, e se tiverem que formatar o computador?
O irónico é que o Yahoo sugere que as pessoas gravem CDs de música (que não contém DRM) para preservar dessa forma as músicas que comprararam. Então agora já não há problema em dar a volta ao DRM?
O extraordinário é que os clientes que compraram música com DRM agora parecem fazer muito burburinho, queixando-se que não vão poder ouvir a sua (deles? dream on) música. Preocupações essas que estão estranhamente a ter eco na imprensa. A verdade é que quando essas músicas foram compradas não ouvimos esses mesmos clientes a queixar-se do DRM.
Parece-me que por detrás destas notícas há mais que simples clientes descontentes. Há a indústria do cinema a tentar fazer passar a ideia que ao DRM não é assim tão mau porque ainda depende dele a 100% para controlar a distribuição, zonas e afins e a ideia de que o DRM morreu efectivamente é má para o seu negócio. O que aconteceria se os tais clientes que agora se queixam do fim dos servidores de autorização do Yahoo, começassem antes a reclamar do DRM dos filmes Blu-Ray e se recusassem a comprar músicas ou filmes com DRM? Ou então que passassem a procurar música em locais alternativos, ou mesmo procurar no google mp3?
O DRM é mau, errado e cerceador das nossas liberdades. A notícia do fim dos servidores de DRM do Yahoo devia ser louvada como positiva, não como um cataclismo como alguns pretendem fazer passar.
A editora de música Universal rompeu os contractos que tinha com a Apple para a distribuição de música na iTunes Music Store e prepara-se para criar um serviço concorrente. Até aqui nada de mal e toda a concorrência é salutar por forma a evitar o comportamento monopolista da Apple. O que eu estranho é que estas multi-nacionais super poderosas continuem a a não perceber qual é o problemas das suas lojas.
Parece que a Amazon se vai dedicar também a vender música livre de DRM. Para já a loja da Amazon apresenta preços mais competitivos que os da iTunes music Store e melhor ainda, tudo sem DRM. Para além disso apresenta um excelente suporte para Mac OS X.
As compras de música podem ser feitas directamente através de um browser, mas a compra de álbuns completos é feita com a ajuda de uma aplicação de gestão dos downloads que integra as músicas compradas com o iTunes. De momento a Loja da Amazon apresenta cerca de 2 milhões de músicas sem DRM com preços entre 0.89$ e 0.99$ e álbuns a começar em 4.99$.
Com estes preços, mais baratos que os do iTunes, sem dúvida que a loja da Amazon se prepara para ser uma grande alternativa ao serviço da Apple. Por outro lado tem o defeito de só aceitar dólares, pelo que não será muito prático para europeus, a menos que alguém tenha uma conta na moeda dos americanos. Para além disso com o euro a 1,4 dólares… se alguém conseguir comprar em dólares vai ficar muito bem servido, porque quando isto estiver disponível oficialmente na Europa certamente que os preços serão feitos com um câmbio 1:1.
Musorg: “
Musorg allows you to easily organize your music collection. Supports simple tag editing, freedb lookups for correct Id3 tags and files and/or directory renaming.”
Por vezes a edição das Tags dos nossos ficheiros MP3 no iTunes não é suficiente porque o iTunes tem uma personalidade própria no que toca à forma como se deve editar essas Tags. Havia o ID3 Editor da Pa-Software, mas era pago. Agora surgiu um novo editor de id3 de mp3 gratuito. Ainda é um software recente, mas promete evoluir nos próximos tempos. Para além do mais é distribuído com as sources sob uma licença GPL2 o que permite a quem quiser atirar-se de cabeça a melhorar este editor.
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