Nikomat FTn
A Nikomat é a versão japonesa da mais conhecida Nikkormat. Basicamente não apresenta diferenças para este último tirando a designação. A diferença de designação deve-se ao facto de Nikomat em Japonês ter uma pronúncia do tipo “Ikomat” o que é uma marca registada da Zeiss Ikon pelo que a Nikon teve que trocar o nome para evitar problemas de trademarks.
A Nikomat FTn que tenho é uma máquina fantástica, completamente manual, com medição TTL central e definição da abertura máxima através de um processo de rotação completa do anel de aberturas, conhecido pelos utilizadores como “Tic Tac”. Ao montar uma lente nova era preciso fazer o “tic tac”, ordar o anel de aberturas até à abertura mais pequena, de forma a que o corpo conhecesse a lente que estava a utilizar. O esquecimento desta operação fazia com que as fotografias fossem feitas com um erro de 5 ou 6 stops o que só se descobria quando se revelavam.
As Nikkormat eram as irmãs “pobres” da série F que era mais profissional, contudo desengane-se quem suspeitar que estas máquinas tiravam fotografias mais “fracas”. Foram muito utilizadas por profissionais como segundo corpo e por amadores como forma de entrar de forma acessível no sistema de lentes Nikon. Como sempre, em fotografia o corpo não tem tanta importância como as lentes que se utiliza.
O obturador é mecânico de plano focal com deslocamento vertical das lâminas, permitindo que a máquina funcionasse sem bateria. Ainda hoje o sistema está em perfeito estado de conservação e funciona como um relógio Suisso. Capaz de fazer disparos entre 1s e 1/1000s + Bulb, o controlo do obturador é feito através de um anel atrás do anel das aberturas da lente, o que torna o funcionamento um pouco estranho ao princípio, uma vez que para uma lente de distância focal fixa são três os anéis que a mão esquerda acaba por manipular. Focagem, abertura e velocidade.
Mas a Nikon ainda conseguiu colocar mais um anel, perfazendo então 4. Virando a máquina de pernas para o ar, pode-se ver que existe um anel que serve para definir a sensibilidade do filme utilizado, que nesta máquina podia ser definido entre 12 e 1600 ASA.
A máquina possuia um sistema de leitura da exposição que através de uma agulha mostrava quer no viewfinder, quer no topo da máquina, a exposição correcta. A exposição era feita no total do ecrã do viewinder, mas o peso relativo é de 60⁄40 dando a máquina 60% à zona central (diâmetro 12mm). A bateria que alimentava o sensor era de 1,3 V de mercúrio que hoje em dia é difícil de encontrar, sendo que se pode utilizar em alternativa pilhas de 1,5V. Contudo a bateria não é necessária para o funcionamento da máquina. Apenas para a leitura da exposição.
Esta máquina possui também um botão de previsão da profundidade de campo, funcionalidade que faz tanta falta e que alguns fabricantes por vezes preferem deixar de fora, e ainda um botão de bloqueio do espelho para aquelas fotografias em que garantidamente nada pode tremer… Outra funcionalidade que hoje em dia só se vê em máquinas de topo.

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