E ainda algumas notas sobre e-Book Readers: As chatices do DRM no Kindle da Amazon (uma das razões pela qual optei pelo BeBook em vez do Sony foi exactamente o carácter Open-source do BeBook); Alguns extractores de texto para ficheiros PDF. Quem quiser ler nos eBook Readers tem que ter um. E por fim na Ars Technica uma leitura do mercado de ebooks e ao papel da Amazon neste cenário, assim com os novos ecrãs de maiores dimensões que estão aí à porta.
Pelos vistos agora nem sequer podemos ver os filmes que compramos no equipamento que temos em casa. Acho que a indústria está cada vez mais a tomar decisões pelos utilizadores e a entrar numa espiral de disparate:
1) A indústria incentiva-nos a comprar 2) A indústria proíbe-nos de utilizar o produto 3) A indústria manda prender quem piratear
Fala-se muito em pirataria em Portugal, que os direitos de autor não são protegidos, que os putos andam a roubar as obras dos artistas no Bittorrent, mas meus senhores a roubalheira é o pão nosso de cada dia neste país. Parece aliás ser a forma de fazer negócio. Veja-se:
A SIC, sim essa coisa que diz que é televisão, ROUBOU há cerca de 2 meses uma fotografia do fotógrafo português Alexandre Cibrão, que estava online no flickr. Pelo facto do fotógrafo a ter colocado online a SIC achou que a poderia utilizar livremente. “Estava no domínio público”.
A Remax, essa empresa que nos impinge casas, ROUBOU a semana que passou uma fotografia do fotógrafo português André Correia, uma foto que está com todos os direitos reservados e que como tal nem sequer permite a utilização ao abrigo de como o Creative Commons.
Por estas da próxima vez que lhe tentarem vender na TV ou nos jornais que os seus filhos andam a roubar os artistas, pense bem porque é que estão a querer atirar poeira para cima dos seus filhos?
E nestes casos, onde estão os senhores das autoridades disto e daquilo?
Há boas notícias às quais imprensa gosta de dar a volta para servir interesses que não percebo. Quando a Microsoft decidiu acabar com os servidores de autorização das músicas com DRM, todos se revoltaram, o que levou a Microsoft a voltar atrás. Agora é a vez do Yahoo! anunciar que vai desligar os servidores que autorizam as músicas com DRM a tocar num determinado computador e novamente as queixas parecem estar a subir de tom.
Estamos a assistir ao fim do DRM e os patos que compraram música com DRM queixam-se que podem ficar sem poder ouvir as suas músicas no futuro. Para já o Yahoo garante que mesmo após o desligar dos servidores de autorização as pessoas podem continuar a ouvir as músicas no computador onde as tiverem (até que mexem a fundo no OS). Mas esperem, as pessoas compraram as músicas, e se tiverem que formatar o computador?
O irónico é que o Yahoo sugere que as pessoas gravem CDs de música (que não contém DRM) para preservar dessa forma as músicas que comprararam. Então agora já não há problema em dar a volta ao DRM?
O extraordinário é que os clientes que compraram música com DRM agora parecem fazer muito burburinho, queixando-se que não vão poder ouvir a sua (deles? dream on) música. Preocupações essas que estão estranhamente a ter eco na imprensa. A verdade é que quando essas músicas foram compradas não ouvimos esses mesmos clientes a queixar-se do DRM.
Parece-me que por detrás destas notícas há mais que simples clientes descontentes. Há a indústria do cinema a tentar fazer passar a ideia que ao DRM não é assim tão mau porque ainda depende dele a 100% para controlar a distribuição, zonas e afins e a ideia de que o DRM morreu efectivamente é má para o seu negócio. O que aconteceria se os tais clientes que agora se queixam do fim dos servidores de autorização do Yahoo, começassem antes a reclamar do DRM dos filmes Blu-Ray e se recusassem a comprar músicas ou filmes com DRM? Ou então que passassem a procurar música em locais alternativos, ou mesmo procurar no google mp3?
O DRM é mau, errado e cerceador das nossas liberdades. A notícia do fim dos servidores de DRM do Yahoo devia ser louvada como positiva, não como um cataclismo como alguns pretendem fazer passar.
As companhias de software parece que aproveitaram a época de Páscoa para ver se podiam meter uns ovinhos escondidos nos cestos dos utilizadores.
Primeiro. A Sony, essa empresa que já deu maravilhas ao mundo como os rootkits de DRM, decidiu que iria passar a cobrar 50$ aos utilizadores para desinstalar aquele software de demonstração que vem com qualquer computador novo. Após um coro de críticas lá achou que era melhor não cobrar nada.
A Apple achou que devia impingir o Safari 3.1 (que até é um bom produto) aos utilizadores que já tivessem o iTunes ou o Quicktime em Windows, juntando ao System Update o Safari. Se por um lado os utilizadores Windows ficariam melhor servidos com o Safari, (esta opinião é apenas a minha), não compete à Apple tentar utilizar estas técnicas de forçar um software pela garganta abaixo, mas sim tem que ser o utilizador a escolher.
Isto apenas hoje, já para não falar de outros que continuam a tentar meter software pela boca dos utilizadores sem que estes se apercebam. Práticas que são de censurar e para as quais há cada vez menos paciência.
Parece que a Amazon se vai dedicar também a vender música livre de DRM. Para já a loja da Amazon apresenta preços mais competitivos que os da iTunes music Store e melhor ainda, tudo sem DRM. Para além disso apresenta um excelente suporte para Mac OS X.
As compras de música podem ser feitas directamente através de um browser, mas a compra de álbuns completos é feita com a ajuda de uma aplicação de gestão dos downloads que integra as músicas compradas com o iTunes. De momento a Loja da Amazon apresenta cerca de 2 milhões de músicas sem DRM com preços entre 0.89$ e 0.99$ e álbuns a começar em 4.99$.
Com estes preços, mais baratos que os do iTunes, sem dúvida que a loja da Amazon se prepara para ser uma grande alternativa ao serviço da Apple. Por outro lado tem o defeito de só aceitar dólares, pelo que não será muito prático para europeus, a menos que alguém tenha uma conta na moeda dos americanos. Para além disso com o euro a 1,4 dólares… se alguém conseguir comprar em dólares vai ficar muito bem servido, porque quando isto estiver disponível oficialmente na Europa certamente que os preços serão feitos com um câmbio 1:1.
“Oh! Steve, Steve… não havia necessidade,…” diria um uma personagem da TV portuguesa há alguns anos.
O acordo tão louvado entre a Apple e a EMI há algum tempo, de repente parece estar a transformar-se num desastre de relações públicas. A descoberta de que os ficheiros Fairplay-Free afinal não são tão livres assim, incluindo nos dados do ficheiro informação sobre quem comprou o ficheiro, incluindo o email. Ora mais uma vez não havia necessidade de tamanho disparate.
Com isto o iTunes Plus não passa de um engano. As pessoas vão-se sentir violadas nas sua privacidade e penso que pode ser um show-stopper para muitos que pensavam em utilizar o novo sistema de compras.
Eu sei que uma amiga minha gosta muito de uma dada música. Decido fazer-lhe uma surpresa, compro a música no iTunes e envio-lha por email. Ela pega nela e mete-a num P2P! O que me acontece?
1) A EMI pode vir atrás de mim para me processar.
2) O meu email é adicionado a uma base de dados por alguém do P2P e enchem-mo de Spam, para além de ficarem com alguns dados da minha conta no iTunes.
Ou seja, a inclusão de algum tipo de identificação do cliente no ficheiro áudio é mau, muito mau mesmo. É como se fossemos comprar um maço de tabaco e a tipa da tabacaria nos dissesse que tinha que meter o nosso número de contribuinte em cada uma das beatas!
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