Uma das grandes confusões da semana passada foi o caso 1984 da Amazon! Não falei antes no assunto por estar num curto descanso no Alentejo, mas o facto permitiu-me ter tempo para reflectir um pouco mais no assunto. A minha primeira reacção foi “A amazon matou o kindle com esta atitude, quem é que vai agora comprar um kindle se não tem sequer a garantia que aquilo que compra será seu?” Depois surgiu a comparação “e se a Bertrand, depois de lhe vender em casa, mandasse uns empregados saltar pela janela e recuperar os livros deixando-lhe o dinheiro em cima da mesinha de cabeceira?” Claro que isto é inconcebível e segundo a lei é crime de furto. Porque depois de vendido, o livro não pertence mais ao vendedor. Mas aquilo que parece obviamente um crime, nos EUA não é. COMO? Sim.. a Amazon fez o que fez, porque nunca na verdade vendeu o livro. Apenas vendeu (em letras muito miudinhas) uma licença de utilização que pode revogar a pretexto do que lhe apetecer. Ou seja, para a Amazon e para a lei americana, o crime é permitido se for escrito num End User Licence Agreement.
Uma das vantagens do BeBook em relação a outros leitores de livros electrónicos, é sem dúvida o facto de ser possível instalar diversos firmwares diferentes no leitor de eBooks.
Entre os diversos firmwares disponíveis, pode optar pelo:
Como se pode ver o mais recente é o da Pixelar, embora o da Bebook estivesse prometido para Maio parece que o lançamento do Bebook 2 e BeBook Mini vieram atrasar tudo um pouco. No entanto era bom que focem lançados ainda antes do mês de férias.
Neste momento tenho instalado o da Pixelar, que pelas primeiras interacções me parece muito fluído e um pouco mais rápido que o do BeBook de Fevereiro. Para além disso alguns dos PDFs mais pesados que tinha (PDFs com 50MB (tenho mesmo que optimizar estes pdfs para eBook) demoravam imenso tempo a abrir no BeBook, e agora, finalmente, conseguem ser legíveis. Aliás penso que o próprio parser de pdfs é melhor assim como o suporte de epubs.
A primeira coisa que se procura, quando se compra um leitor de livros electrónicos é uma forma de ter as notícias no nosso eBook Reader. Uma pesquisa rápida mostra que estamos condenados a ler os jornais LÁDEFORA, porque em Portugal, nem os jornais publicam em formato eBook, nem há havia forma fácil de fazer conversão.
No meu caso, o jornal que normalmente leio é o Público. Infelizmente, e como tantos outros, o público não disponibiliza a totalidade das notícias no RSS para obrigar o leitor a ir ao site clicar na publicidade. Isto impede uma forma rápida de aceder aos conteúdos em formato eBook.
Em todo o caso o Calibre (Um excelente software de gestão de eBooks) juntamente com uns pozinhos de Python permite fazer um eBook através de um sistema de plugins denominado “recipes”.
Assim, andei às voltas com as “recipes” do calibre e fiz uma recipe do calibre para jornal público. Para ter as notícias num eBook só tem que fazer download do script publico.py e depois correr esta recipe a partir de um terminal:
feeds2mobi publico.py –o publico.mobi
ou então copiar o conteúdo do ficheiro publico.py para uma custom news source em advanced mode.
A partir daqui é só enviar o e-Book para o seu BeBook, Kindle ou mesmo para o iPod ou iPhone e leva as notícias do Público consigo. O ideal é fazer esta sincronização mesmo antes de sair de casa pela manhã! Boas leituras enquanto as GORDAS ainda estão quentes!
A BeBook prepara-se para lançar uma novo leitor de eBooks. Ao contrário da Amazon que aumentou de tamanho, a BeBook aposta num tamanho menor. A ideia parece ser reduzir o preço deste aparelho de forma a que mais pessoas adiram ao conceito. Naturalmente que o grande problema dos eBook Reader é a leitura de PDFs que requerem o ecrã grande (o que acontece muito a quem quer ler artigos científicos). Por outro lado se a ideia for ler romances, então este BeBook de 5″ pode ser mesmo ideal para levar para a praia no Verão.
Entretanto os tipos das Endless Ideas (a empresa por detrás do BeBook) anunciaram que o preço será de €199 e que o irmão mais velho (e maior) vai ter novas funcionalidades, nomeadamente Wifi e acesso 3G estando a companhia a preparar um sistema do tipo do Kindle com alguns operadores móveis. O problema será o novo preço que passará a custar cerca de €400.
Ainda não os há, pelo menos a preços convidativos para o leitor monetariamente consciente. No entanto esperam-se grandes novidades no terreno dos e-book readers no próximo ano, com novas companhias a proporem novos produtos de dimensões maiores. Pessoalmente continuo a achar que o formato Paperback do BeBook é ideal para quem quiser ler livros. Quem por outro lado estiver interessado em ler PDFs de artigos, os novos produtos que estão na forja serão sem dúvida mais interessantes. O NYTimes faz hoje uma peça sobre a importância destes E-Book Readers para a o futuro da própria imprensa. Recomenda-se. Por cá entretanto o Triplo Expresso prepara um podcast sobre o assunto (o número 13) que vai sair brevemente.
O mundo dos livros é repleto de contradições tudo por causa da defesa de uma ideia de direitos de autor que não se coaduna com o século XXI. São as editoras que se recusam a lançar livros em formato e-Book porque vivem do transporte de papel, mesmo que 4 ou 5 horas depois do lançamento dos livros já haja cópias digitais na internet, são as editoras com medo de perder o seu ganha pão impedem que um livro caia no domínio publico ao fim de um tempo razoável, e expandem a protecção até 75 anos após a morte do autor, são as editoras que dizem que o seu próprio mercado está em crise… e adivinhem quem é o culpado?
A leitura nos e-Book Readers tem-se revelado muito agradável, sendo que o ecrã de e-ink é muito menos cansativo do que o ecrã de computador. É muito prático ter connosco uma série de livros num conjunto que não ultrapassa as 220g. Ainda por cima a quantidade de formatos aceites é enorme (doc, rtf, pdf, mobi, prc, pdb, wolf, epub, etc…).
No entanto as reduzidas dimensões do ecrã dos e-Book Readers coloca a muitos a questão: e os PDFs? São sem dúvida o formato mais comum que está disponível no mercado, mas no entanto parece não haver consenso sobre a utilização dos e-Book Readers para ler PDFs. Um dizem que dá, outros que nem por isso…
O grande problema com a leitura dos PDFs passa pela sua natureza. PDFs são produzidos para impressão final e normalmente o tamanho da página para a qual são produzidos é muito diferente do tamanho dos ecrãs dos e-Book Readers. Enquanto os PDFs são normalmente feitos para os formatos A4 ou letter, os ecrãs de 6″ com 800×600 pixeis normalmente tem 9×12 cm. Esta medida faz com que ler os mesmos seja complicado uma vez que o redimensionamento vai tornar as letras muito pequenas. Um outro problema dos pdfs são as margens. O espaço extra que no papel é útil, no e-Book Reader é ecrã desperdiçado.
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