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Artigos com Etiquetas ‘lisboa’

Ser lisboeta é…

20, Janeiro, 2010
Roupa No Estendal

Perdoe-​​me o leitor habitual do Sixhat Pirate Parts pela história que vou contar a seguir. Trata-​​se de uma história pessoal, de algo que pode não lhe interessar aqui, onde normalmente falo de tecnologia, de complexidade e coisas que tais. Conceda-​​me um pequeno perdão por isto.

A minha vida sempre foi dividida entre muitas terras. Nasci em Viana do Castelo, mas os primeiros anos da minha infância foram passados numa aldeia de Ponte do Lima. Depois, por sortes da vida, estive um ano no distrito de Braga e outro em pleno Alentejo perto da bela vila de Odemira. Foi também nessa altura que entrei para ciclo e onde me comecei a tornar um pouco “independente”.

No ano seguinte voltei para o Norte, desta vez finalmente para Viana do Castelo. Aos 17 anos vim para Lisboa para a Universidade e desde então (agora com 35) estive na capital (se exceptuarmos alguns passeios amorosos por outras capitais de distrito).

Ao todo passei 18 anos da minha vida na capital, mas nunca durante este tempo fui munícipe da cidade de Lisboa. Continuei sempre a manter a minha residência fiscal em Viana do Castelo. Ia votar a Viana, a minha médica de família era em Viana, a segurança social era em Viana… Efectivamente estava em Lisboa desterrado.

Acontece que por motivos de força maior (o Saldanha Residence ser paragem de carteiristas profissionais) vi-​​me obrigado a pedir 2ª vias de todos os meus documentos (salvou-​​se o passaporte). Aproveitando a situação e atendendo a que agora ia pedir o cartão de cidadão (em vez de 50 mil papeis e cartõezitos) mudei também a minha morada fiscal para Lisboa.

A partir desta data vou passar a colocar uma morada de Lisboa nos meus documentos. Não que troque de terra, serei sempre Vianense no coração e no sangue, mas é verdade que também sou daqui, tal o tempo que já cá passei. E é neste ambivalência que me encontro, tal como Mário de Sá-​​Carneiro nas suas dúvidas, de ter duas terras ou não ter nenhuma.

Hoje ao regressar a casa a pé disse para mim mesmo: “Hoje é verdadeiramente o primeiro dia em que estás a regressar a tua casa, David”. É uma sensação de mudança sem o ser verdadeiramente. Na prática quase nada muda. É apenas um quadro de referência mental.

Não sei se para Lisboa eu sou Lisboeta, mas sei que Lisboa é parte do que eu sou.

Obrigado pela paciência.

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Encontros da Arrábida — Epilogo

9, Julho, 2009

My Life As Monk Would Be So Great
Estou de volta a Lisboa, depois de 3 dias de encontro sobre as noções de emergência na filosofia e ciências naturais. Foram inúmeras as visões diferentes sobre o tema, que tornaram a minha (e por mim falo) mais ampla sobre a matéria.

O encontro foi também oportuno para conhecer parte do trabalho de João Fiadeiro, um coreógrafo, e da RE-​​AL em relação ao qual fiquei particularmente agradado e de onde surgiram discussões interessantes sobre as sinergias entre arte e complexidade.

Também conheci pessoalmente o Vitorino Ramos (com quem perdi uma rápida de 5 minutos), que apresentou uma súmula dos seus trabalhos e que aconselho vivamente a quem por aqui passa (e estiver interessado em complexidade) a explorar. Entre outras coisas o modelo desenvolvido para vencer a estratégia Tit For Tat utilizando co-​​evolução é muito interessante e uma das que contribuiu para eventualmente tentar algo nesta área no futuro, assim com as sua formigas kafkianas!

Entretanto outras coisa que achei interessante e que mereciam mais espaço aqui que duas linhas, são os trabalhos do Fabio Boschetti (ao qual voltarei certamente a falar, até porque quero implementar uma ideia que me sugeriu), os do Anders Lyhne Christensen sobre swarm-​​robotics e o do Agostinho Cláudio Rosa sobre co-​​evolução.

Quase no fim, uma nota para a noite de observação de astronomia organizado pelo Observatório Astronómico de Lisboa que foi excelente, apesar do frio, e que colocou 20 pessoas a olhar para o céu de forma diferente.

Mesmo para acabar, a minha apresentação correu bem. Não a coloco ainda aqui porque o trabalho que lá está descrito ainda não está concluido e em termos práticos “ainda não rendeu nenhum paper”. Mas assim que haja mais novidades elas aparecerão na secção das Publicações.

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Fotos da Manifestação de Professores em Lisboa

8, Novembro, 2008


Estive hoje de tarde naquela que deve ter sido a maior manifestação de professores de que há memória. E ainda tive a oportunidade de numa coincidência do diabo conhecer o Pedro do “Era uma vez…” (Espero que tenhas feito uma boa viagem de regresso).

Depois do Google ter achado que as fotos da Marcha da Indignação de Março de 2008 deviam ser alvo de censura (O google achou que as fotos da manifestação eram fotos “impróprias” e suspendeu a conta) agora vamos experimentar no Flickr para ver se a verdade incomoda menos o Yahoo!

Set Completo das Fotos da manifestação dos professores

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Eu também quero uma casa em Lisboa

30, Setembro, 2008
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Senhor Presidente da Câmara de Lisboa,

Eu também quero uma casa em Lisboa. Pode ser ali na encosta do castelo com vista sobre a baixa, ou então no Chiado que é mais movimentado e chique, tem mais “cachet”.

Queria pedir-​​lhe que isto fosse tratado com alguma urgência, porque queria fazer as mudanças quanto antes. Já agora podia também dizer-​​me para onde é que envio o cheque com a mensalidade (146€ não é verdade?).

Senhor presidente, arranje a casa, que eu até voto em si nas próximas eleições. E para além do mais serei mais discreto que a sua vereadora e isto nunca sairá a público para lhe transtornar o sono.

Cumprimentos,

O autor desta chafarica …

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Feira do Livro, afinal há!

21, Maio, 2008
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Segundo a notícia do Público a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) consegui resolver os imbróglios com o aspecto das tascas e marcou a data de abertura da feira do livro.

Assim a partir do próximo sábado e até 15 de Junho é altura ir ao fundo da carteira e comprar com preços de feira. Uma boa notícia sem dúvida.

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Marcha da Indignação

9, Março, 2008
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Decorreu hoje em Lisboa a Manifestação da Indignação dos professores contra o actual estado da carreira docente e claro contra a Ministra da Educação. A PSP estima que tenham estado na manifestação cerca de 100 000 professores dos 143 000 que existem no país… Um verdadeiro sucesso.

Ainda podem ver algumas fotos da marcha da indignação no Nimages, no flickr da minha irmã e numa conta do Picasa do Google

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Cartão Sete Colinas Ilegal ou Não?

5, Março, 2008


Normalmente não ando muito de transportes públicos (prefiro andar a pé) mas de todos o que mais utilizo é o metro. Há uns tempos os bilhetes de metro simples foram substituídos por um cartão recarregável que evita o gasto de papel. Ora aqui está uma boa ideia, pensei eu. Uma coisa inteligente.

Ontem, contudo a opinião que tinha desta medida mudou. Porquê? Porque os tipos do metropolitano de Lisboa decidiram passar a cobrar pelo cartão recarregável. Ao ir apanhar o metro cheguei à máquina e pedi um bilhete simples de 1 zona. O preço que apareceu 1,25€ Como? Pagar o cartão? Lembrei-​​me que tinha um cartão desses de uns dias antes (que foi de graça) e pensei… “Deixa lá ver como é que isto funciona, e já agora vamos lá carregar isto com 10 viagens”… Ora segui as instruções do ecrã e no momento em que escolhi carregar 10 viagens… NADA. Dois clicks e um clack vindos da ranhura onde o cartão estava inserido e o ecrã voltava ao ecrã inicial sem sequer se dar uma INFORMAÇÃO ÚTIL sobre o erro ocorrido.

Por esta altura estava já a pensar se me iam obrigar a comprar um bilhete de metro por 1,25€…

Voltei a tentar mais uma ou duas vezes… Sempre o mesmo resultado. IMPOSSÍVEL carregar o cartão com 10 viagens. Lá optei por tentar carregar apenas com 1 viagem… Click Clack… e a máquina dignou-​​se pedir-​​me o dinheiro do bilhete… 0,75€. Finalmente. Mas em todo o caso de cada vez que andar de metro vou ter que carregar 1 bilhete de cada vez… MUITO OBRIGADO, senhores do METRO.

Depois na emocionante viagem que fiz de metro pus-​​me a pensar ainda outra coisa: Pode o Metro cobrar pelo cartão? É que se a EDP deixou de poder cobrar pelo aluguer do contador, porque é que este cartão é diferente? No fundo o cartão é apenas o CONTADOR de viagens! É algo que faz parte da infra-​​estrutura e que por si não fornece um serviço ao cliente. O cartão em si mesmo não presta um serviço, não tem utilidade nenhuma porque o cartão em si não é um bilhete.

Parece-​​me pois que o custo deste cartão deveria ser suportado PELO METRO e não pelo cliente. Qualquer dia para andar de metro temos que comprar para além do título de transporte uma carruagem, alugar motoristas, e trazer uma pá para cavar o túnel.

O site do METRO tenta passar a ideia de que o preço do cartão não é problema porque é rapidamente recuperado pelo utilizador do mesmo. Ora a questão aqui não são os 50 cêntimos, mas sim o princípio. O princípio de obrigar o cliente a pagar algo extra para além do título de viagem, algo que até agora não existia parece-​​me que poderá ser semelhante ao que se passa com o caso dos contadores e parece-​​me profundamente errado, sejam 50 cêntimos ou 5000€.

Para além disso imagine-​​se alguém que vá utilizar 1 única vez o metro. Em termos efectivos esta pessoa tem um aumento do custo da viagem de 66% e desculparem-​​se que este valor será menor se a pessoa utilizar o metro muitas vezes… UM GAJO PODE NÃO QUERER UTILIZAR O METRO NOVAMENTE, QUERER 1 VIAGEM, SEI , PORQUE TALVEZ VIVA NOUTRO PAÍS E PENSE NÃO VOLTARLISBOA?

Senhores do Metro, vão fazer alguma coisa? Claro que não, porque são um belo de um MONOPÓLIO e tem que pagar o custo das inundações no Terreiro do Paço. Por isso inventaram uma bela forma de aumentar os preços dos bilhetes e angariar mais uns trocos. Para além de que o sistema não funciona nas máquinas de venda automática para carregar 10 viagens (Ou se calhar não houve dinheiro para verificar o novo software) e nem se digna a dar informações.

E já agora: Quem foi a besta que fez o design deste cartão que se esqueceu de mostrar como inserir correctamente o mesmo na máquina? É que design não é “embelezar” o produto, mas pronto.

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Lisboa-​​Dakar cancelado

4, Janeiro, 2008

Dakar By antspin at flickr
Photo © antspin

E mais uma vez a cultura do medo venceu. A possibilidade de ataques terroristas levou a direcção da prova a optar pelo cancelamento do rali o que mais uma vez vem provar que estamos a perder a guerra contra o terrorismo.

A economia, a segurança, o trabalho e até o desporto estão agora pendentes das vontades destruidoras de um punhado de pessoas. As causas do terrorismo não são para aqui chamadas, mas a verdade é que vivemos hoje sob essa ameaça latente que nos impele a olhar por cima do ombro a cada instante e a desconfiar do nosso maior amigo.

Hoje é mais um episódio triste dessa guerra que vamos perdendo todos os dias.

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Ainda sobre o trânsito

3, Novembro, 2007

Ontem falei aqui da proposta de de se colocar autocolantes nos carros das pessoas. Medida que parece ser mais uma forma de mostrar serviço sem afectar verdadeiramente a vida das mesmas e de dar dinheiro a uma empresa de algum amigo de alguém do governo pelo estudo. Mas para ironia no mesmo dia aconteceu um acidente gravíssimo junto aos barcos no Terreiro do Paço.

Naturalmente hoje o público faz notícia do mesmo e não pude deixar de reparar numa caixa de destaque em que se diz que uma forma de garantir a segurança dos peões é criar zonas de 30km/​h e mexer nos sistemas de semáforos. Ora, 30km/​h? e porque não 25? ou 10? Aliás, seja 30 km/​h ou 90 km/​h o que é que interessa se o condutor não os respeitar? O acidente de ontem aconteceu porque a condutora não respeitou as condições de circulação para a zona, logo de que adiantava a proibição de 30Km/​h?

Embora não goste da ideia, a meu ver a única solução para locais sensíveis passa por aquilo que os brasileiros tem e abusam nas suas estradas. Os chamados quebra mola, em locais de muitos peões como o do terreiro do paço onde aconteceu este acidente, seriam eficazes. É um sistema de lombas que efectivamente obriga a reduzir a velocidade e permitiria evitar esta demagogia do “agora alteram-​​se os limites” que na prática não impede que eu ande a 130 km/​h naquela avenida e que continuemos a ter estas notícias nos jornais.

Ainda sobre o trânsito

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De eléctrico em Lisboa

1, Novembro, 2007

De eléctrico em LisboaSegundo o Sol, o Fórum Cidadania Lisboa (FCL) defende a reintrodução dos eléctricos em Lisboa. Defendem que os amarelos (embora também hajam noutras cores) são amigos do ambiente e que as linhas são menos dispendiosas.

Pediram também que a linha 24 fosse reaberta entre o Carmo e Campolide.

Penso que as linhas de eléctrico a manter terão que ser feitas com carruagens modernas para serem utilizáveis como meio de transporte regular. É uma questão de querermos ser desenvolvidos ou apenas uns patetas parolos.

No caso das linhas de Turismo, aí sim, os eléctricos podem e até tem a sua piada serem antigos. Mas neste caso não acho que as linhas possam pretender ser uma alternativa viável para o utilizador de automóvel, como a associação pretende fazer passar. Aliás, penso que as linhas de turismo, sendo tão específicas não deviam sequer cobrar bilhete. As pessoas deveriam poder entrar e sair como e quando lhes apetecesse.

As linhas de turismo teriam que ser encaradas como um investimento da autarquia na promoção da cidade evitando ao turista toda a chatice de perceber como funcionam os bilhetes, comprar bilhetes numa língua estrangeira, ou perceber os trocos do Euro. Os eléctricos antigos, e já agora os elevadores, seriam eventualmente “pagos” por publicidade dirigida ao turista, por exemplo casinos ou hotéis.

Penso que seria a forma mais interessante de dinamizar os eléctricos e claro que se as pessoas da cidade os utilizassem, tanto melhor.

Agora considerar que os eléctricos antigos podem ser uma alternativa moderna para o transporte urbano diário, mostra que esta ideia não veio de quem os utiliza regularmente. Os eléctricos antigos são giros, mas ficam a desejar muito ao conforto e quem se sentou naquelas tábuas duras num dia de inverno sabe-​​o muito bem. O sacrifício feito por um turista numa viagem eventual, em que procura o “típico”, não é o mesmo que o utente que o utiliza diariamente.

Em todo o caso seria giro ver o 24 de novo a circular.

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