Qual a melhor forma de ler PDF no eReader?

Converter PDF para ebook Reader

Com a proliferação de iPads, Galaxy Tabs e mais não sei quantos tablets de 5" ou mais, pergunto-me porque é que ainda é necessário converter PDFs para eReaders. Claro que quem utiliza o Kindle, Kobo ou outro dispositivo de e-ink, continua a ter o problema de converter os PDFs (embora alguns possuam leitores de PDF), mas não são os outros tablets retro-iluminados também eReaders?

A meu ver quando se passa de PDF (que é um formato para impressão) para os eReaders talvez a única coisa que valha a pena fazer é cropar as margens brancas do documento. Afinal os tablets / kindles já tem uma margem onde agarrar e não vale a pena manter essa margem branca nesses ecrãs. O resto são peanuts. Há até eReaders que já permitem fazer neles o crop (vídeo).

Para fazer o crop das margens brancas no computador pode-se utilizar o PDCrop, um script em Perl que remove as margens brancas e faz o reescalonamento. É principalmente útil para aqueles artigos publicados no formato LNCS da Springer com umas margens horrendas. Muito giras para imprimir, mas pouco práticas para ecrãs.

No Museu de Arte Antiga

Este fim de semana estive no Museu Nacional de Arte Antiga e para além de muitas preciosidades que lá se encontram, duas obras marcaram retiveram a minha atenção:

A primeira foi o tríptico das tentações de Santo Antão de Hieronymus Bosch.

Tentações de Santo Antão, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Esta obra é claramente algo diferente, com elementos que parecem preceder em muitos anos o surrealismo do século XX. Há mais obras a retratar as tentações de Santo Antão, mas depois de ver este tríptico, todas parecem pobres.

A outra obra que me chamou a atenção foi a Torre de Babel de Joos de Momper. Uma beleza que está metida numa parede lateral sem importância nenhuma. Nesta retive-me a apreciar a técnica de Momper que é simplesmente bestial.

Joos de Momper - Torre de Babel.

Aliás nota-se que algumas das peças mais interessantes no museu estão colocadas em posições menos nobres dando-se destaque por outro lado a peças que acabam por ser menos interessantes. Mas eu não sou o curador do Museu.

Um destes fim de semanas, se puderem visitem e deliciem-se com os mestres de antigamente. O MNAA fica ali na rua das Janelas Verdes.

A produção do cinema nacional. Onde está a crise?

Produção de Cinema Português

Depois de ontem ter andado a olhar para a indústria distribuidora do cinema nacional através dos dados dos espectadores e não perceber nada do assunto eis que me pus a pensar se o cinema português está mesmo condenado.

Não encontrei uma fonte oficial sobre o número de filmes realizados em Portugal mas a Universidade da Beira Interior tem uma página com os filmes produzidos em Portugal desde 1896 pelo que decidi utilizar estes dados.

E eis que me assolam novamente as dúvidas sobre a coincidência entre o que se passa e o que se diz. Se sem dúvida 1990 foi o ponto mais negro da produção cinematográfica portuguesa com produção só ao nível da verificada durante a 2ª guerra mundial, a produção de 2010 (127), 2011 (140) e 2012 (126) é reveladora de vitalidade. As 3 melhores décadas do cinema português são os anos 30, 70 e agora os 2010 para a frente (Descontando claro 2013 que ainda está no início).

Bem, a produção de cinema é naturalmente dependente do dinheiro existente para o fazer. A chamada subsidio-dependência. Assim, seria normal que o número de filmes produzidos acompanhe alguma forma de riqueza nacional. Vamos verificar o PIB per capita (dados de 1960-2010 do Pordata a preços de 2006).

Produção de Cinema Português

Não, não parece haver uma relação entre o PIB per capita e o número de filmes produzidos por ano. Continuo a não perceber nada disto. Alguém quer comentar?

Como de costume o código para reproduzir isto está no RPubs

O Cinema em Portugal está a fechar portas.

As notícias para o cinema em Portugal não são famosas. As salas fecham e distritos inteiros deixam de ter salas de cinema. Os preços são exorbitantes e as salas vazias mesmo na capital mostram que algo está profundamente mal. Por outro lado as receitas estão em alta. Algo que não se percebe. Mas talvez alguém me possa explicar isto.

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Os dados que da figura são do Pordata e quem quiser pode copiar e colar o código no R para reproduzir o boneco. As curiosidades principais a meu ver são:

  • Após o 25 de Abril as salas de cinema passaram de ter 300 espectadores para menos de 100 num instante.
  • No final dos anos 90 as receitas dispararam. Foi tempo de vacas gordas na indústria dos cinemas. No entanto o número de espectadores por sala continuou a cair até andar agora em cerca de 20 pessoas por exibição. (As 2 últimas vezes que fui ao cinema Londres estavam 3 e 2 pessoas, respectivamente, já incluindo eu e ela.)

Agora alguém me explique isto como se eu fosse uma criança. O número total de espectadores não tem diminuído assim tanto. Ora vejamos.

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Como podem desde o bater no fundo dos anos 1995 e 1996 em termos de espectadores que o número de espectadores em Portugal tem sido mais ou menos constante. A crise pelo contrário parece ter mais a ver com o número crescente de salas que foram sendo criadas e que canabilizaram o mercado dos operadores de cinema. Com isto quem ficou a perder foi o espectador que agora se depara sem oferta de cinema em muitas zonas do país.

Talvez o mercado da oferta de cinema tenha que recuar para os níveis do ano 2000 e como isso muitas das megalomanas salas de cinema tenham que fechar. Há espectadores, um número mais ou menos constante que quer consumir cinema anualmente, que adoram a experiência do cinema. Não podem é ser tratados como vacas de tetas gordas que alimentam qualquer projecto imobiliario ou shopping de segunda com cinema a preços de caviar.

Claro que isto penso eu que não sei nada do assunto. Se alma mais iluminada sobre o assunto quiser discordar a caixa de comentários abaixo é sua.

Este artigo está também disponível no RPubs

update: gerou-se uma discussão interessante no reddit/p/portugal sobre este artigo. Dê lá um saltinho!

Lance Armstrong, podemos esquecê-lo por favor

Lance Armstrong em entrevista à Oprah

Depois de todas as provas que foram apresentadas, de todas as queixas, o próprio veio a terreiro reconhecer que a sua carreira foi uma fraude e que todos aqueles que seguiram e admiraram (eu incluído) levaram uma banhada durante anos a fio. Bastam os primeiros 2 minutos da entrevista de Lance Armstrong à Oprah Winfrey para ficar com um amargo de boca:

Qualquer reacção a esta descoberta que não seja de uma repulsa completa é uma validação da batota como forma normal de proceder na vida, seja no desporto, seja profissionalmente. Algo que é fundamentalmente errado por destruir quer o presente quer o futuro de uma vida em sociedade.

Vão estes casos repetir-se? Sim. Não haja ilusões. O desporto de alta competição está pejado de pessoas desonestas que colocam a sede de vitória (e consequentes prémios financeiros) à frente de uma qualquer moralidade.

No entanto tenho esperança que estes casos sirvam de exemplo dissuasor dos desportistas que estão agora a começar as suas carreiras. A batota não compensa. No final são apanhados, ficam sem o dinheiro, sem a glória e pior que tudo sem a honra.

O que está a acontecer à Federação de Remo?

A Federação Portuguesa de Remo foi declarada insolvente pelo Tribunal Cível de Lisboa, a pedido da empresa de transportes Moisés Correia de Oliveira, que reclama uma dívida de 100 mil euros dos Europeus2010 organizados em Montemor-o-Velho. via TSF

Porque é que isto é típico? Propomo-nos fazer mais e melhor, colocamos a cabeça, o corpo e a família no cepo, e depois quando chegarem as dívidas para pagar vamos todos a banhos para o Algarve. Se formos apanhados entre a espada e a parede temos sempre a alternativa de nos demitirmos até porque

«vai ser complicado e difícil» recuperar a federação de remo, mas envia uma «palavra de esperança» no sucesso, até porque, lembra, já outras modalidades passaram pelo mesmo.

podemos sempre desculparmo-nos com os outros. Os outros já fizeram igual ou pior. Se eles mataram, nós podemos roubar um bocadinho que não faz mal… não há responsabilidade de quem encomenda, nem de quem fornece os serviços.

Normalmente um negócio só é bom se for bom para as duas partes, mas por cá parece que o negócio só é bom se as duas partes enganarem as outra e depois tudo se desmorona.