Relatório – Assimetrias europeias

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Foi publicado ontem um relatório do Eurostat que mostra bem as assimetrias europeias.

Particularmente interessou-me a tabela que diz respeito à percentagem da população com educação completa de terceiro nível em 2007. A análise foi efectuada nas 271 regiões que constituem a Europa e, não surpreendentemente, Portugal aparece na cauda. A região que apresenta o maior nível de licenciados em Portugal é Lisboa com cerca 20% (a azul) e o mínimo nos Açores com 7,3% (a verde). O que espanta é que os 20% de Lisboa ficam abaixo de algumas regiões mais “desertificadas” de outros países. Veja-se o caso da Bélgica, Dinamarca, Finlândia ou Irlanda, todos com valores mínimos acima dos 25%.

Em termos práticos isto quer dizer que para nos aproximarmos da Europa, temos que DUPLICAR o número de licenciados que produzimos (ou então, olhando apenas para a crueza dos números como fazia uma ministra da educação cá da praça, diminuir para metade a população portuguesa).

O grande problema é como formar mais alunos? Que estratégias adoptar para incentivar mais pessoas a investir na sua formação durante mais anos? Não será certamente arranjando soluções facilitadores do tipo novas oportunidades, ou transformando as universidades em linhas de produção automatizadas. Os números mostram que é preciso reduzir esta assimetria, mas o COMO é que é importante discutir agora. Infelizmente, em semana pós-eleições não vejo uma solução verdadeiramente atractiva para convencer mais pessoas a investir na sua formação ao nível superior.

(nota: há um relatório outro publicado durante setembro com as percentagens de alunos de doutoramento na Europa. O truque é tentar perceber como aproveitar esse meio milhão de cérebros da melhor forma, seja ela qual for!)

Encontros da Arrábida – Epilogo

My Life As Monk Would Be So Great Estou de volta a Lisboa, depois de 3 dias de encontro sobre as noções de emergência na filosofia e ciências naturais. Foram inúmeras as visões diferentes sobre o tema, que tornaram a minha (e por mim falo) mais ampla sobre a matéria.

O encontro foi também oportuno para conhecer parte do trabalho de João Fiadeiro, um coreógrafo, e da RE-AL em relação ao qual fiquei particularmente agradado e de onde surgiram discussões interessantes sobre as sinergias entre arte e complexidade.

Também conheci pessoalmente o Vitorino Ramos (com quem perdi uma rápida de 5 minutos), que apresentou uma súmula dos seus trabalhos e que aconselho vivamente a quem por aqui passa (e estiver interessado em complexidade) a explorar. Entre outras coisas o modelo desenvolvido para vencer a estratégia Tit For Tat utilizando co-evolução é muito interessante e uma das que contribuiu para eventualmente tentar algo nesta área no futuro, assim com as sua formigas kafkianas!

Entretanto outras coisa que achei interessante e que mereciam mais espaço aqui que duas linhas, são os trabalhos do Fabio Boschetti (ao qual voltarei certamente a falar, até porque quero implementar uma ideia que me sugeriu), os do Anders Lyhne Christensen sobre swarm-robotics e o do Agostinho Cláudio Rosa sobre co-evolução.

Quase no fim, uma nota para a noite de observação de astronomia organizado pelo Observatório Astronómico de Lisboa que foi excelente, apesar do frio, e que colocou 20 pessoas a olhar para o céu de forma diferente.

Mesmo para acabar, a minha apresentação correu bem. Não a coloco ainda aqui porque o trabalho que lá está descrito ainda não está concluido e em termos práticos “ainda não rendeu nenhum paper”. Mas assim que haja mais novidades elas aparecerão na secção das Publicações.

Como é feita uma Leica com Portugal à mistura!

L-Camera TV #1 – Does Leica still make MP and M7? from Andreas Jürgensen on Vimeo.

Não é todos os dias que se houve referir o nome de Portugal associado com marcas de culto na fotografia como a Leica. É sabido que a Leica tem uma fábrica em Portugal em Famalicão, mas não se está à espera que numa visita à fábrica de Solms, o nosso país fosse referenciado tantas vezes. Consegue adivinhar quantas?

É impressionante o cuidado posto na construção manual desta máquinas onde tudo é verificado à mão. A produção é muito reduzida: 150 corpos de máquinas fotográficas por mês o que dá menos de 2000 unidades anuais, o que ajuda a que os preços das Leicas continuem a ser proibitivamente altos para o comum dos mortais e ajudando dessa forma a manter o culto da marca pela sua exclusividade.

Mas nem tudo são boas notícias. Recentemente vieram a público notícias que a Leica estaria interessada em vender a Fábrica Portuguesa de Famalicão, onde para além dos corpos para as M7 e MP faz também lentes e é o centro mundial dos binóculos da marca.

O Trio Odemira a cozinhar os próximos 5 anos

Cavaco, Sócrates e Manuela: Para governar é preciso várias coisas e com um ano de eleições a cada 2 meses, estes 3 personagens viram-se num DILEMA. Nenhum sabe governar, embora saibam todos mandar. E governar e mandar são coisas completamente diferentes: Para mandar é preciso ter maiorias absolutas, quase ditatoriais. Para governar é preciso saber dialogar. Como nenhum dos 3 sabe dialogar, estão já a preparar-se para fazer um “bloco central” para conseguirem MANDAR. E com o medo da diversidade de opiniões, do diálogo e da diferença, lá se preparam para fazer um país CINZENTÃO, onde todos vestem ganga azul, trabalham 16 horas por dia e não tem à mesa mais que PÃO.

É tramado ainda não ter havido umas únicas eleições e ver já os 3 a preparem-se para dividir os tachos, tudo claro, sob a capa da estabilidade e da mediocridade intelectual.

Mapas de Portugal para ir de férias

Foto de jasmic

1 de Agosto, dia de férias para muita gente. Altura de pegar nos mapas de Portugal que ficaram perdidos no carro no ano anterior e planear o itinerário, mapas ou GPS, conforme gostar mais. Pessoalmente para decidir para onde vou ainda assim prefiro um mapa. O GPS serve mais para localização ou orientação. O tradicional mapa é muito mais prático para o planeamento.

Se ainda não programou a suas férias, ou escapadela de Verão aqui ficam alguns mapas de Portugal para planear a aventura:

Sapo Mapashttp://mapas.sapo.pt/ – Os mapas do Sapo estão integrados com Pontos de Interesse o que ajuda a encontrar o que se pretende. Experimente procurar por exemplo “Praias, Sines” para ver uma listagem de praias da costa alentejana. O serviço de itinerários também permite definir se se pretende viajar de carro ou se se trata apenas de um passeio a pé. No entanto tem um defeito que é não permitir que se marquem os pontos de partida e chegada directamente no mapa tendo que ser introduzidos nas caixas de pesquisa. O sistema parece funcionar em associação com o NDrive pelo que os resultados são bons, mas no browser seria mais prático poder clicar directamente os pontos de partida e chegada.

Geowebhttp://www.geoweb.pt/ Este serviço poderia ser muito prático mas acaba por ser a meu ver um falhanço na era web 2.0. Primeiro começa por ter uma página onde se pede o login de utilizador, segundo recorre a um plugin da Autodesk para que o sistema funcione minimamente. Ainda para mais apresenta apenas 3 cidades georeferênciadas (Lisboa, Porto e Braga) e embora a informação disponível para cada uma delas seja boa, a navegação não é intuitiva. É a prova de que um bom software para Sistemas de Informação Geográfica não se traduz automaticamente numa boa experiência quando se tenta construir uma aplicação web.

TransPorhttp://www.transpor.pt/ – Mais um falhanço. Aliás, este é produzido pela mesma empresa do Geoweb.pt, a Gismedia. A ideia aqui era fazer uma aplicação web centrada nos itinerários e nos horários de funcionamento de transportes públicos. Novamente falha. A experiência é a mesma do geoweb com requintes de malvadez. As experiências que fiz, para calcular um simples itinerário de Lisboa a Viana do Castelo conseguiram não dar resultados. Por outro lado o serviço de mapas fica a anos luz dos oferecidos pelo Sapo ou outros concorrentes como o Google.

Mapas Páginas Amarelashttp://mapas.pai.pt/ – Os mapas do “PAI” (Páginas Amarelas Interactivas) é também (e forma semelhante ao do Sapo) muito bom. Está naturalmente vocacionado para mostrar os resultados das página amarelas, e não naturalmente como planeador de férias, mas permite mostrar diversos pontos de interesse nos 4 níveis de zoom mais próximos. O mapa permite que se faça Pan com o clicar e arrastar do rato directamente no mapa, e os mapas fornecidos pela TeleAtlas são muito detalhados.

Mapas Clixhttp://mapas.clix.pt/ – O clix também tem o seu serviço de mapas, neste caso orientado também à definição de itinerários. É talvez aquele que apresenta menos soluções. Uma pessoa passa a vida a tentar clicar na imagem e arrastar para mover o mapa, o que não funciona, ou a tentar fazer zoom com a roda do meio do rato o que também não funciona. No entanto permite fazer pesquisas de vários tipos de pontos de interesse (por exemplo procurar os mapas dos campos de golf em Portugal) o que servirá para organizar os seus passeios de forma prática. Para além disso o planeador de itinerários permite escolher entre itinerários a pé ou itinerários de carro, o que é útil para as visitas aos centros das cidades portuguesas.

Qual o melhor serviço de Mapas Português?

Esta análise é efectivamente curta e é a minha opinião sobre os diversos serviços que encontrei. Para além destes existem uma série de espertalhões que recorrem aos mapas do Google e fazem sites de mapas de portugal apenas para colocar publicidade adsense em torno dos mapas. Encontrei vários assim, muito lixo mesmo.

Dos 5 serviços de mapas que experimentei, os meus favoritos são sem dúvida os dos portais Sapo e Clix e o das Páginas Amarelas. Os da Gismedia são verdadeiramente penosos de utilizar. A vasta experiência dos portais com os utilizadores de internet é aqui mais valia e mesmo entre o Sapo e o Clix, tenho que reconhecer que prefiro os mapas do Sapo. Principalmente porque é maior. A área que o mapa ocupa é 3/4 da janela e é fluida o que permite que num monitor de 20” não se esteja a ver um mapa do tamanho de um relógio de bolso. Para além disso o poder fazer pan com um clique do rato ou zoom com a roda de scroll são mais valias que aprecio. O Clix permite marcar itinerários directamente nos mapas, algo prático, mas as dimensões reduzidas do mapa, assim como a utilização de botões externos ao mapa para Zoom e Pan fazem a minha escolha recair no Sapo, que embora não sendo perfeito (Sr.s do Sapo, vejam lá o Javascript dos mapas, porque um bug qualquer a dada altura fez disparar o consumo de memória do Firefox e foi preciso matar o FF) é melhor que a concorrência. Entre o Sapo e o PAI o meu coração balança. Se por um lado penso que o Sapo está mais vocacionado para lazer o do PAI (muito semelhante aos mapas do Sapo) está mais vocacionado para trabalho. Uma coisa que me desagradou nos mapas do PAI foi o facto de quando se muda o tipo de pesquisa ele automaticamente fazer um reset ao Zoom do mapa, não permitindo mudar o tipo de pesquisa apenas para a área em questão. Penso que isto é algo que no futuro deveria ser revisto pela equipa que desenvolveu os mapas do PAI.

Claro que se não quiser utilizar nenhum destes serviços de mapas pode continuar a utilizar os mapas fornecidos pelo google maps, ou pelo maps live da microsoft (com birds view para as maiores cidades portuguesas), ou então os da via michelin para itinerários (muito bons mesmo, inclusive para viagens pela Europa). Aliás, nenhum destes “estrangeiro” será substituído pelos serviços de mapas nacionais que ainda tem muito para andar (sapo inclusive). No entanto a distância já foi muito superior e os nacionais podem em alguns casos apresentar dados mais pormenorizados que os estrangeiros, pelo que no planeamento de férias são uma boa opção para considerar.

Depois é só ir de férias e se quiser saber novidades aqui da chafarica, pode seguir o Sixhat Pirate Parts no telemóvel através do Twitter.

Euro 2008 – Força Portugal

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Começa hoje a grande festa do futebol europeu!

Embora honestamente não acredite muito nesta selecção, principalmente porque sinto que lhe falta o líder natural para além do modelo de jogo (mas isto se não houver é culpa do treinador), tenho a dizer que agora é chegada a hora de deixar as análises de parte e as críticas que mesmo justas não servem para nada agora que a competição arranca.

Já escrevi e pré-publiquei um artigo a dizer apenas “SOMOS CAMPEÕES” que aparecerá no fim do jogo de dia 29 de Junho. Até lá não sou mais crítico e vou torcer, sofrer e gritar por aquela equipa e por aquela bandeira que é a de todos nós.

FORÇA PORTUGAL!

A Ilha dos Amores

Mesmo depois de 500 anos passados sobre as descobertas, este continua a ser um país de Velhos do Restelo. Continuam muitos a acreditar que a imutabilidade das coisas é sinónimo de perfeição, que as aventuras e a novidade não devem ser coisa nacional. Ficam ali sentados nos seus bancos de jardins, apoiados em cajados que já mal aguentam as suas pobres carcaças, dizem mal e lamentam-se do nosso triste fado… Não mudam e ficam qual estátuas de granito empedernido a repetir a palavra do velho do poeta. Como a original tinha mais arte, mais vale ouví-la em vez, porque ouvindo-a, se ganha a força e o engenho para continuar a embarcar em caravelas e a enfrentar perigos inimagináveis. Os velhos… os velhos ficam em Lisboa… ou no Porto… ou em Lama de Ouriço. E falam, falam, falam… deixai-os falar, ninguém os ouve… Lá pelas bandas do canto nono encontram a recompensa os aventureiros…

52 De longe a Ilha viram fresca e bela, Que Vénus pelas ondas lha levava (Bem como o vento leva branca vela) Para onde a forte armada se enxergava; Que, por que não passassem, sem que nela Tomassem porto, como desejava, Para onde as naus navegam a movia A Acidália, que tudo enfim podia.(…)59 Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor, com que tu, rubi, teu preço perdes; Entre os braços do ulmeiro está a jocunda Vide, com uns cachos roxos e outros verdes; E vós, se na vossa árvore fecunda, Peras piramidais, viver quiserdes, Entregai-vos ao dano, que, com os bicos, Em vós fazem os pássaros inicos.

in “Os Lusíadas” de Luís de Camões