“Estamos a planear rever o estatuto do bolseiro de investigação, eliminando definitivamente as bolsas pós-doc [ou de pós-doutoramento]”, anunciou Ana Paiva, secretária de Estado da Ciência,… –in Público
Há governos que não gostam do saber, que não gostam da democracia, que não gostam do contraditório, que não gostam do progresso.
Este é só mais um ataque sob o pretexto de acabar com a precariedade na ciência.
Os que fazem ciência em Portugal não a fazem porque se trata de uma boa carreira em Portugal.
Há 30 anos que não é uma boa carreira com sucessivos cortes, com precariedade, com o transformar de mentes brilhantes em assalariados baratos para as universidades-fábrica falidas que temos.
Acabar com bolsas de pós doutoramento é acabar com uma via de alguns se aguentarem na academia mais um ano, mais seis meses, mais… até que se cai da árvore da ciência (talvez uma figueira ressequida cheia de espinhos).
Vai haver um caminho para se fazer ciência, só um, cada vez mais estreito, onde só um camaleão de mil cores conseguirá subir ao topo da figueira.
E esse caminho será (já é) para filho do primo do amigo que faz parte do júri.
Há governos assim, que gostam deste “Zero-Euro Budgeting” em que se corta tudo.
Onde só se anuncia que não se gasta nem mais um tostão.
Onde o plano “bom” será sempre apresentado depois.
Onde não há sensibilidade para perceber que o coitado do camaleão mais uma vez tem que entrar em stress, mudar de cor, tentar mudar de figueira ou simplesmente deixar-se cair no mar de espinhos que estão lá em baixo.